• Este grupo é para que os amantes e maragogipanos possam discutir a Cultura, Política, o Cotidiano, a História e a vida na cidade de Maragogipe. "Dubito, ergo cogito, ergo sum"

  • O blog Ecos da HIstória é um difusor da História de Maragogipe, além de questionador de ideias do senso comum e transmissor dos conteúdos históricos! Sinta-se na história.

  • Neste Canal do Youtube você pode acompanhar os vídeos produzidos por Zevaldo Sousa, além de outros clássicos da prudução cultural ligada a historia de Maragogipe.

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  • Nesta página você encontra links para álbuns fotográficos e os links para os três blogs de festas da cidade (Carnaval, Festas Juninas e a grandiosa Festa de São Bartolomeu)

  • Nesta página especial, o leitor poderá entrar em contato com a administração do blog, com colunistas, emitir opiniões, tirar dúvidas, questionar e enviar suas cartas e fotos.

terça-feira, 3 de março de 2015


A retomada das atividades de manutenção de plataformas da Petrobras no Canteiro de São Roque do Paraguaçu foi a cobrança feita pelo deputado Eduardo Salles (PP) durante a sessão ordinária desta terça-feira (3), na ALBA (Assembleia Legislativa da Bahia).

O Canteiro de São Roque do Paraguaçu iniciou suas operações ainda na década de 80, mas depois ficou 15 anos fechado e retornou às atividades em 2004. “A manutenção de plataformas já foi feita anteriormente pela Petrobrás e gerava empregos em Maragogipe”, declarou Eduardo Salles no plenário da Casa. “Essa ação permitiria a contratação de até 2.000 trabalhadores”, acrescentou.

"Enquanto a Enseada Indústria Naval não voltar a funcionar, podemos sim gerar emprego com a retomada do Canteiro de São Roque do Paraguaçu", explicou.

“As demissões têm criado um problema social. Existe a necessidade urgente de retomarmos as atividades no Estaleiro São Roque do Paraguaçu. Nós, deputados, temos a obrigação de buscar uma solução”, cobrou o deputado.

Eduardo Salles apontou como alternativa ainda o BNDES liberar o financiamento à Sete Brasil, a aprovação do Banco do Brasil, via o fundo de Marinha Mercante, de financiamento à Sete Brasil e o pagamento da Sete Brasil à Enseada Indústria Naval para que o setor volte a contratar.

“Condeno veementemente a corrupção descoberta na estatal e defendo punições exemplares. Mas não posso assistir um setor ruir e não propor nenhuma solução”, complementou Eduardo Salles.

A paralisação das atividades resultou na demissão de aproximadamente 7.000 trabalhadores. Apenas no último mês de janeiro janeiro, com 1.764 desligamentos, conforme o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), Maragogipe foi o município baianos campeão na perda de postos de trabalho. “Não podemos assistir isso impassíveis”, concluiu o parlamentar.

Fonte: ASCOM – Deputado Estadual Eduardo Salles

segunda-feira, 2 de março de 2015



No 178º aniversário da elevação de Cachoeira à categoria de cidade, a festa será muito animada. Confira a programação oficial:

Dia 13 de Março (sexta-feira)
Sessão Solene na Câmara de Vereadores
Inauguração do Campo de Futebol e da Quadra Poliesportiva do Tororó
Atividades culturais e esportivas

Dia 14 de Março( sábado)
20h - Banda Brotou Samba
22h - Samba Entre Amigos – Paco Duarte e Magno Mendes
00h – Nenho Falando de Amor
02h – Léo Santana

Dia 15 de Março (domingo)
14h – Morenos do Samba
16h- Samba de Roda de Dona Dalva
18h- Samba de Criolo
20h Banda Axé Mais
22h- Banda Psirico

Realização: Prefeitura Municipal de Cachoeira
Secretaria de Cultura e Turismo
Bahiatursa
Governo do Estado da Bahia
Quando a maioria da população julga seus representantes de forma negativa. É porque não estão se sentindo representados.

É fato. Atualmente, contamos com eleitores desiludidos, onda de manifestações, ativistas nas redes sociais e uma profunda crise de representatividade política... tudo isso somado a uma série de acontecimentos que rodeiam o município de Maragogipe como um todo e que a população não consegue enxergar, de forma transparente, as atividades e ações do legislativo, executivo e judiciário.

A Câmara Municipal deveria ser a Casa da Cidadania e da representação popular, mas...
Eu mesmo que leio todos os dias os diários oficiais e busco por informações diretas com nossos representantes não me sinto representado.

Se me concentrar no município, digo que não me sinto representado pela chefe do poder executivo local, por ser omissa e não ser transparente com relação aos seus atos. Tudo acontece de forma apática e sem definição. A população fica buscando mecanismos para interpretar tudo o que está acontecendo na nossa cidade e não encontra muitos argumentos. O que se percebe é que o povo tem uma vontade de mudança muito grande, mudança essa prometida e abafada com ações que incitam a desconfiança da própria população.

Com relação aos vereadores, existe maior desconfiança ainda. Mas não podemos negar o despreparo para o exercício pleno do cargo de vereança, e não somente por parte dos edis, mas também por parte daqueles que deveriam orientá-los. De vez em quando, surge uma esperança na Câmara, sempre quando a oposição se levanta, mas mesmo assim, de forma indiferente, falta aquele tino, aquele senso de organização para enfrentar um executivo que não representa os anseios da população.

Se mudarmos e chamarmos a atenção de nossos deputados, seja estaduais ou federais, o que se percebe é que a grande parte da população não sequer lembra em quem votou, quanto mais conhece os seus representantes eleitos.

E os pré-candidatos de 2016? Não preciso falar muito, por não me sentir representado prefiro batalhar por uma Maragogipe melhor.

Não se pode negar, antes a população procurava seus representantes, mas hoje em dia, a grande mudança que aconteceu com a internet se consolidando como um instrumento não só de proliferação da opinião das pessoas, mas de consolidação dessas opiniões, essa representatividade mudou. As pessoas preferem manifestar-se diretamente nas redes sociais e, em Maragogipe, o facebook passou a ser o termômetro do sobe e desce dos nossos atuais representantes.

Se o facebook é uma ferramenta que mede nossos representantes políticos, nada mais justo que ler as opiniões de alguns comentários do Facebook:
Juarez Guerreiro - Falta de pulso para governar, criar novos mecanismos para reascender a economia local gerando novas possibilidades aos jovens da região!

Erick Conceição - Para além de gestores que queiram mudar esse quadro negativo, é preciso que toda a população tenha força de vontade.

Marcelo Caldas - Acho que a principal crise é a usura política, ninguém ai envolve-se na politica por ideais de mudança; apenas para pegar o seu "pedaço no bolo". Se tivéssemos políticos e eleitores (sim eles também querem seu pedaço no bolo) comprometidos com a Cidade, teríamos outra Maragojipe. Não conheço um sequer que não tenha "melhorado de vida" após entrar na mesma. Mas ai já é pedir demais já que vivemos em um pais com DNA basicamente corrupto...

João Guerreiro - Marcelo, bem colocadas suas palavras, não existe político honeste e sim gananciosos, sugadores do erário público, seja A, B ou C, todos almejam o poder e quando chega lá dentro, se corrompem e esquecem o que prometeram em campanha, tudo farinha do mesmo saco...
Fathima Barbosa de Andrade - Na minha opinião a cidade de Maragojipe já tem um histórico de políticos corruptos, eles sim tem a culpa da cidade tá nessa crise, mas também a população maragojipana se deixar levar e abaixar a cabeça por qual quer "engraçadinho"que lhe ofereça uma coisa aqui ou coisa ali .e é por esses e outros muitos motivos que Maragojipe não vai a frente, Já passou da hora do povo abrir o olho pós o tempo tá passando e Maragojipe cada vez mais se afundando.

Antonio Leite - No dia em que o povo de Maragogipe deixar de ser marionete desses políticos isso pode mudar mas enquanto votarem porque receberam presente da nisso .minha cidade natal destruída por esses miseráveis corruptos!

Ton Vieira - Precisamos cada vez mais nos conscientizar de que quem faz o município é o povo, este escolheu em sua maioria a situação a qual nos submetemos, assim sendo, cabe a cada um de nós refletir sobre qual futuro desejamos para nossa cidade. Em nossa cidade não tem projeto social, não tem infra-estrutura, falta segurança, a saúde é um caos e todos nós assistimos tudo isso sem poder fazer nada! Vamos rever os nossos conceitos, refletir sobre os nossos direitos e deveres como cidadão Maragojipano!!!

Ulisses Sousa Costa - Grande Amigo Zevaldo, em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pela enquete, na minha opinião, o caso de Maragogipe é antigo. Maragogipe está assim, sai um prefeito ruim entra outro pior e o povo sente saudades do anterior. Eu particularmente não culpo o político e sim o eleitor, pois fazem barganhas a qualquer preço, temos uma afinidade de cabos eleitorais em nossa terra, como prova disso na eleição passada, tiveram votos, candidatos que nem sequer conhece Maragogipe, e para acabar de completar nosso conterrâneo LUIZ ALBERTO, não conseguiu a reeleição, mesmo sendo o primeiro filho da terra com um mandato de Deputado Federal, preferiram Benito Gama, que já estava morto politicamente, Luiz Caetano, Antônio Brito, Bebeto do estaleiro, dentre outros etc. Agora com esse baque do Estaleiro esperamos, que os que tiveram votos dos Maragogipanos, façam alguma coisa para mudar tal quadro, pois do contrário só São Bartolomeu salva a nossa querida terra, Vamos ver se em 2016 aparecem candidatos mas compromissados com a nossa Cidade, com o nosso povo, um grande abraço do amigo Ulisses.
Danilo Medina - Já havia criticado no Blog do Zevaldo Sousa o modelo politiqueiro brasileiro que se faz presente também em nosso Município. As pessoas criticam os políticos eleitos sendo que grande parte do eleitorado se vende por todo tipo de coisa: saco de cimento, telha, bloco, conta d'água, energia, passagens, benefícios sociais pra votar... Depois da nisso o eleito(a) a Prefeito(a) fica de rabo preso com Deputado(a) que bancou sua campanha. Ai tem que devolver o dinheiro investido com juros quando chega a eleição pra Deputado(a) tem que mostrar votação novamente comprando votos, logo depois tem que preparar o caixa pra campanha de reeleição... Nesse ciclo de (roubalheira+descaso) com a coisa publica o "esperto(a)" que vendeu seu voto por qualquer R$ 50,00 passa quatro anos penando na Saúde, Educação, Segurança e tudo mais! Todos querem mudanças de verdade mas poucos querem percorrer um novo caminho! Não tive como colocar mais comentários. 

Mas estes e outros usuários/cidadãos maragogipanos apostam que o voto será um dos instrumentos da mudança reivindicada, sobretudo pelo eleitorado jovem.

domingo, 1 de março de 2015

Com a crise instalada na industria naval, a paralisação das obras da construção do estaleiro e o impacto no comércio local. Maragogipe deixa de arrecadar, aproximadamente, um milhão de reais por mês em impostos. Essa informação foi divulgada neste domingo, dia 01 de março, em matéria especial do jornal A Tarde.

Leia abaixo trecho da matéria do A TARDE.

Maragogipe deixa de arrecadar R$ 1,5 milhões

Maragogipe chegou a arrecadar, no auge da construção do estaleiro, R$ 1,5 milhão por mês somente com o Imposto Sobre Serviços (ISS). O secretário de governo do município Gilberto Sampaio conta que parte dos recursos foi empregada na melhoria dos serviços públicos nos distritos próximos ao empreendimento. Onze ruas de São Roque do Paraguaçu foram pavimentadas, a coleta de lixo, que era feita duas vezes por semana, passou a ser diária, e o posto médico do local ganhou uma nova ambulância e mais um médico.

"Nossa arrecadação com ISS praticamente zerou nos últimos meses", lamenta o secretário. "A cidade passou 50 anos em esperanças até a chegada do estaleiro. Agora, é como alguém que ganhou na Mega Sena e não recebeu o prêmio", afirma. De acordo com ele, os efeitos da paralisação das obras civis do estaleiro serão sentido mais fortemente daqui a seis, sete meses. "Certamente, teremos uma crise de empregabilidade muito forte no município nos próximos meses", diz.

Neste domingo, resolvi escrever sobre o que está acontecendo no município de Maragogipe. Comecei a esboçar um plano de ação e percebi que se nós colocarmos na ponta do lápis tudo o que necessita ser falado para sairmos desta CRISE GENERALIZADA que assola, arruína e destrói o nosso município, não pararíamos mais de escrever esta série de opiniões e de relatos.

Como o objetivo é traçar um panorama sobre as diversas crises que se instalaram no município de Maragogipe. Listei várias, mas resolvi me concentrar em apenas 12, que são:

  1. Crise político representativa
  2. Crise político administrativa
  3. Crise econômica
  4. Crise democrática
  5. Crise de sustentabilidade ambiental e de saneamento básico
  6. Crise na educação e no esporte
  7. Crise na cultura e no lazer
  8. Crise na saúde
  9. Crise de infraestrutura
  10. Crise na segurança pública
  11. Crise social e de políticas para a juventude
  12. Crise hídrica e energética
Antes das publicações, aguardo opiniões e sugestões.
O conteúdo do jornal pode ser acessando na página do assinante ou na banca.
Por Zevaldo Sousa

Neste domingo, dia 1 de março, no jornal A Tarde, o município de Maragogipe aparece em destaque. Sob o título de "Obras paradas travam economia de Maragogipe" o jornal irá escrever sobre o drama que a população maragogipana e de regiões circunvizinhas estão passando. Assim como relatar sobre a crise do setor da construção naval que atingiu a construção do estaleiro que está sendo construído pela Enseada Industria Naval, em Maragogipe.

Neste sentido escrevo:

Crise instalada e Maragogipe mais uma vez sofrendo com as decisões de políticos e administradores. No local onde a esperança reinava no coração e nas mentes de cada cidadão deste belo Recôncavo e até do Brasil, hoje um clima tenso de dúvidas paira no ar. Se bem que, como diz o ditado: "A esperança é a última que morre" e agora cabe novamente a esses mesmos políticos e administradores reverter essa situação que a Enseada Industria Naval se encontra e não será nada fácil.

Ontem, dia 28 de fevereiro, as obras da construção do estaleiro paralisaram. A Enseada está aguardando recursos para retomar a obra e finalizar a última etapa do processo de implantação, paralelo a tudo isso, as obras da construção naval seguem.

Vale ressaltar que no dia 25 de fevereiro, foi anunciada no blog oficial da Enseada (Navegando Juntos) a notícia que o Goliath - superguindaste - estava em pé e com isso, o empreendimento acaba de dar mais um grande passo rumo ao processo de construção dos navios-sonda.

Apesar de tudo isso, com todos esses escândalos estourando no Brasil, a Enseada sofre, o município de Maragogipe sofre, os municípios vizinhos ao empreendimento sofrem, as empresas, empresários e empregados que depositaram esperança no processo sofrem e a população nem se fala mais.


E a estrada que liga o município de Maragogipe, tanto para São Félix quanto para o distrito de São Roque do Paraguaçu, permanece esburacada.

Como disse bem o colunista do Tempo Presente, Levi Vasconcelos, a estrada que liga Maragogipe a São Félix é a campeã da buraqueira também em longevidade. Uma vergonha!


Coluna Tempo Presente 24/02/2015 (A Tarde)

E por falar em estradas esburacadas, a BA-420, que liga São Félix a Maragogipe, impera absoluta como campeã da buraqueira também em longevidade. O trecho de Maragogipe a São Roque também virou um caos. Os moradores de Nagé, a meio caminho, já protestaram queimando pneus. Deu em nada.

sábado, 28 de fevereiro de 2015


Durante a visita que realizou nesta quinta-feira (26) ao Senai/Cimatec, o governador Rui Costa afirmou – mais uma vez – que as obras na Bahia e no Brasil “não podem parar por conta das denúncias”. De acordo com Costa, ninguém pede, por exemplo, o fechamento do banco HSBC, acusado de “esquentar” dinheiro de desvios em paraísos fiscais em países na Europa. “Defendemos que as investigações não paralisem os projetos. Se tiver que rever contrato, que seja revisto. Se tiver que aplicar multa, aplique, mas não precisa parar os projetos. Nunca vi ninguém levantar a tese de que o HSBC tem que parar no mundo todo. Imagine quantas pessoas ficariam desempregadas”, explicou. Ainda de acordo com Costa, o encerramento das atividades do Consórcio Estaleiro Paraguaçu – previsto para este sábado (28) – era esperado, porém de forma mais gradativa. “A obra já está 85% concluída. Então, já estava entrando em um processo de desaceleração”, justificou. Segundo o petista, a ajuda do estado agora será no sentido de ajudar na conclusão dos 15% do projeto e na ampliação dos empregos na área naval.

DO BLOG: O que o Brasil está falando de Maragogipe? O nosso município novamente está na boca do povo. Segue artigo do Tribuna da Bahia que está se viralizando na internet.


Por Vitor Hugo Soares (Tribuna da Bahia)

Neste sábado, 28, fim de fevereiro para não esquecer, o Consórcio Estaleiros Paraguaçu(CEP) - formado pelas empreiteiras OAS, UTC e Odebrecht - confirma o triste desenlace de um engodo anunciado: o encerramento das atividades na obra monumental de engenharia naval em Maragogipe, coração do Recôncavo Baiano. Prometia empregar 5 mil pessoas na fase de construção e mais 6 mil em seguida à inauguração, anunciada para o ano eleitoral de 2014.

O megaempreendimento de infraestrutura nacional, realizado na Bahia, foi vendido pelo governo federal, desde o lançamento da pedra fundamental em julho de 2012, como sonho dourado no Nordeste. Atravessou assim a campanha que reelegeu presidente da República a petista Dilma Rousseff. De quebra, fez de Rui Costa (empurrado pelo muque do então ocupante do Palácio de Ondina e atual ministro da Defesa, Jaques Wagner) governador do estado já no primeiro turno.

A miragem de R$ 2 bilhões prometida com pompa e circunstância, em badalação sem tamanho no lançamento da pedra fundamental, foi um festival de guisos e euforia. Presentes Dilma, Wagner, Rui, Graça Foster, Gabrielli e a nata do poder no governo petista. Todos ao lado de poderosos empresários nacionais e estrangeiros, acatados executivos de empresas (antes da Lava Jato), prefeitos, parlamentares e a gente humilde e trabalhadora do lugar.

Tudo, ou quase, desmorona agora em meio ao silêncio quase completo. De omissão ou cumplicidade.

Propagava-se o ressurgimento da indústria pesada Off-Shore na Bahia (plataformas e equipamentos para exploração, transporte e distribuição de petróleo). Tudo antes de explodir a Lava Jato, que arrola corruptos e corruptores no maior escândalo da história brasileira, e tem como pano de fundo a Petrobras, empresa do coração de todos. Executivos das empresas brasileiras do Consórcio estão presos, há meses, na carceragem da PF em Curitiba. Dilma, então, disse em seu discurso sobre a construção do estaleiro, "ser esse o jeito - diferentemente dos europeus - do governo brasileiro enfrentar a crise econômica: criando mais emprego e promovendo desenvolvimento". Uma peça histórica de retórica e enganação, que está na Internet e merece consulta.

O saudoso humorista Zé Trindade, honra da Era de Ouro do Rádio e glória do chamado cinema de chanchada no Brasil, fez o seu povo sorrir e espantar o mau humor durante décadas. Mesmo em épocas as mais bicudas, e em governos os mais caóticos e mais desastrados, ou os mais intolerantes, partia dele a tirada, a galhofa, o chiste ou a piada que levava às gargalhadas, ajudava sua gente a suportar e resistir ao tranco.

Zé Trindade usava duas expressões que funcionavam como cartão de visita em suas apresentações e filmes. A primeira era uma espécie de registro de identidade geográfica e afetiva que ele afirmava alto e bom som em todo lugar: "Eu sou baiano de Maragogipe!", marca registrada ainda mais engraçada pelo o acento genuíno que o artista emprestava ao pronunciar o nome da sua cidade.

A segunda, de cunho político e social (além de alcance nacional), era um bordão crítico. Provavelmente, se vivo estivesse, o fabuloso humorista o estaria repetindo com frequência nestes dias cavernosos do segundo mandato presidencial da petista Dilma Rousseff: "Nossa situação é lamentável", dizia o maragogipano famoso, acentuando com seu sotaque e jeito inimitáveis cada sílaba da palavra la-men-tá-vel.

Difícil imaginar, apesar de seu prevalente bom humor, o sentimento de Zé Trindade, diante do quadro destes dias em sua terra. Gritos de desempregados e familiares que se multiplicam. Choro de desiludidos e indignados diante da situação que se delineia na véspera do encerramento das atividades no estaleiro do Paraguaçu, como mostrou ontem a Tribuna da Bahia, em esclarecedora reportagem.

Ô, Bahia! É triste, dramático até em algumas passagens. Mas é necessário relembrar sem esconder ou escamotear fatos, a tragicomédia que se desenrola em Maragogipe. Uma chanchada eleitoral com todos os ingredientes para terminar em clamoroso desastre social na terra de Zé Trindade. A conferir.
Por Geraldo Bastos (A Tarde)

A paralisação das obras de construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe, provocou a demissão de mais 3 mil trabalhadores, reduziu a arrecadação de vários municípios do Recôncavo e ameaça a retomada da indústria naval da Bahia. Mas tudo isso é apenas uma parte do problema. A outra - não menos dramática - é formada por dezenas de pequenos empreendedores. Gente simples e batalhadora, que juntou a economia de uma vida inteira para abrir um novo negócio ou então tomou empréstimos em bancos para ampliar restaurantes, pousadas e supermercados e atender à nova demanda.

Com a crise de liquidez no estaleiro e a desaceleração do projeto, muitos empresários não resistiram e fecharam as portas. Muitos outros estão, literalmente, com a corda no pescoço, à beira da falência. "Foi um baque muito forte", lamenta Jailson Bonfim Lima, 38 anos, dono do mercado Cinco Estrelas.

A mercearia de Jailson fica em Enseada do Paraguaçu, o distrito mais próximo do estaleiro. No pequeno vilarejo, de casas simples, ruas estreitas e esburacadas e quase nenhum serviço público, residem cerca de 800 pessoas. Detalhe: quase todas elas trabalharam no estaleiro. Era a oportunidade que Jailson precisava para crescer e expandir os seus negócios. Tinha um pequeno bar e o transformou num mercado amplo e sortido. Em dia de pagamento de salários no estaleiro, o local ficava cheio "Fazia fila. Muitos nem pagavam a conta na hora. Eu anotava no caderninho e só recebia 30, 60 dias depois, não me importava", conta.

Com a falta de liquidez no consórcio construtor do estaleiro, a partir do final do ano passado, começaram as demissões em massa. Resultado: o movimento no Cinco Estrelas minguou. Os produtos encalharam nas prateleiras. Há poucos dias, Jailson jogou fora R$ 8,5 mil em mercadorias vencidas. Já não consegue pagar em dia a conta de telefone e o aluguel das máquinas de cartão de crédito e débito. Está com o nome negativado.

"O movimento aqui caiu 99%", calcula Jailson, que estava construindo uma pequena pousada ao lado do mercado. Suspendeu a obra por falta de recursos e de qualquer perspectiva de hóspedes por lá. "Minha irmã tinha uma lanchonete aqui e fechou. É tudo muito triste", observa.

Oslinda fechou um restaurante em São Roque (Foto: Xando Pereira | Ag. A TARDE)
Depressão econômica
O distrito de Enseada vive hoje o que se pode chamar de depressão econômica - uma combinação perversa de desemprego, falência de pequenos negócios e quase nenhum dinheiro circulando pela localidade. Perto dali, na agradável São Roque do Paraguaçu, o drama é bem parecido. Que o diga o empresário Manoel dos Santos, conhecido na região como Bira, proprietário de uma padaria e da pousada Ponto 10 - com 27 apartamentos e considerada uma das melhores da localidade.

No pico das obras de construção do estaleiro, que mobilizou mais de 7,2 mil trabalhadores, a pousada chegou a fornecer duas mil refeições por dia. A ocupação chegava a 100%. Na última quarta-feira, apenas um quarto estava ocupado. Pior: o empreendimento está sendo ampliado. Vai ganhar mais 74 apartamentos.

"Já compramos as tevês e os equipamentos de ar-condicionados para os novos quartos, mas tivemos que parar o projeto de ampliação. Também demitimos metade dos nossos funcionários. Tudo isso aqui depende do estaleiro", afirma José Rodrigo Nascimento Costa, gerente da Ponto 10.

Bem próximo da pousada funcionava o restaurante Novo Sabor, fechado há um mês. "Não deu para continuar. Com a parada do estaleiro, passamos a trabalhar no vermelho. Achamos melhor encerrar as atividades", conta Oslinda da Silva Cavalcante, que abriu o empreendimento junto com duas irmãs.

O restaurante funcionava das 8 às 23 horas, empregava quatro pessoas e era frequentado basicamente pelos funcionários do estaleiro. "Não temos muitas oportunidades aqui. Acreditava que este projeto ficaria para os meus netos e não aconteceu nem mesmo para os meus filhos. Mas não perco a esperança de que tudo seja resolvido em breve".

Fim do consórcio
Afetado pela crise envolvendo a Petrobras e com falta de liquidez, o consórcio construtor do estaleiro Enseada do Paraguaçu - formado pelas empresas OAS, UTC Engenharia e Odebrecht - encerrou suas atividades neste sábado, 28, por tempo indeterminado.

No ano passado, a Enseada Indústria Naval iniciou a construção de seis navios-sonda para exploração do pré-sal por encomenda da empresa Sete Brasil. Contudo, a Sete, que tem entre seus acionistas a Petrobras, ficou ao menos três meses sem fazer os repasses para a construção dos equipamentos. A Enseada tem a receber ainda cerca de R$ 600 milhões do Fundo da Marinha Mercante.

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