Maragogipe na Independência, uma História esquecida

Por Aldo Sampaio

A História de Maragogipe nesses últimos 50 anos foi toda escrita com as tintas da ignorância e da falta do saber.

Na concepção dos governantes do passado, as comemorações do 2 de julho dependia apenas de uma seresta dentro de um mercado onde se realiza uma feira, como se fosse dessa forma a sua participação nas lutas pela independência.

No entanto, a História nos mostra e nos ensina que a nossa independência dependeu única e exclusivamente da coragem dos homens e da força das armas e não apenas de danças e músicas que nem sempre agradam.

O que é preciso na verdade, é elucidar os fatos para que se entenda que foi através das lutas empreendidas, principalmente, no Recôncavo e, especialmente, em Maragogipe que o Brasil conquistou em definitivo a liberdade que todos sonhavam.

Todavia, se algumas pessoas desta terra conhecessem a grandeza de sua História, talvez hoje não tivéssemos a profunda tristeza de vê monumentos como as Celas do andar térreo da Casa de Câmara e Cadeia no mais completo abandono servindo apenas de depósito para guardar imundícies.

Para que se tome conhecimento, foi em uma dessas celas que no dia 1º de junho de 1823, ficou custodiado o general francês Pedro Labatut que aqui ficou por 3 meses e meio sempre vigiado de perto pelo tenente-coronel Manoel Colombo Borburema, sendo que este fato se constitui para nós como a maior prova de participação de Maragogipe nessa batalha.

Outro fato deprimente e vergonhoso é o estado deplorável em que se encontra o Forte de Salamina, estrategicamente construído para dar o primeiro combate e evitar a entrada das tropas, como às lusitanas, rio a dentro, que tentavam debelar o movimento separatista sediado em Cachoeira que não se reconhecia o comando português do general Madeira de Melo em Salvador, ou ainda para impedir a chegada a própria Vila de Maragogipe.

Como se vê, o Forte de Salamina foi palco de lutas renhidas em pró do povo brasileiro. Por essa razão que entendemos que esse passado não pode ser esquecido nem abandonado porque povo sem história é povo sem passado e povo sem passado é povo sem vida. A História também registra em suas páginas um dos acontecimentos mais lindos e mais glorioso que nos enobrece que foi a Sessão da Câmara de Vereadores do dia 26 de junho de 1822, data em que a Vila também aderiu ao processo iniciado 12 dias antes em Santo Amaro, proclamando o Príncipe Regente D. Pedro I como Imperador do Brasil e foi nessa mesma Sessão que os vereadores fizeram constar em Ata o pedido feito no novo governo para que construisse em algum lugar do país uma universidade e que na Província da Bahia fosse instalada uma Fábrica de Algodão e Lanifícios.

Portanto,  se outras cidades do Recôncavo tiveram participação nessa luta, embora não seja lembrada por alguns historiadores, Maragogipe teve participação decisiva e precisa ser reconhecida, principalmente agora pode ser aprovado pelo Congresso Nacional um projeto no qual o 2 de Julho será reconhecido como data histórica no calendário nacional o que significa dizer que todos os estados irão estudar a História da Independência na Bahia.

Por isso entendemos também ser necessário que as nossas autoridades a partir de agora façam uma comemoração cívica no município ou participe das comemorações em Salvador para que o mundo veja e saiba da importância e do valor que Maragogipe teve e tem para o Brasil.

Aldo Sampaio

Publicado pela primeira vez no dia 28/06/2013

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