Poesia em homenagem ao saudoso professor Ronaldo Souza

Por Paulo Vicente Guerreiro Peixoto

Estou repetindo a pedido a publicação desta poesia que fiz em homenagem especial ao meu mestre e Poeta, saudoso Prof. Ronaldo Souza:

Foto: Zevaldo Sousa

Chora meu rio-mar de infância
e, também me faz chorar.

Chora pelo "naufrágio" e "desaparecimento" de seus saveiros:
Paraíso, Vendaval, Sombra da Lua e tantos outros,
que com sua velas ao vento
emolduravam as tuas paisagens.

Chora pela devastação de seus manguezais,
pela extinção dos meros, dos botos,
dos caranguejos, aratus, das tesouras, dos mirins, dos mariscos
e pela pesca predatória das redes e bombas.

E o que dizer do navio Maragogipe,
que arrancaram dos seus braços
para em suas águas nunca mais navegar.

Sim, chora meu rio-mar da adolescência,
dos passeios de canoa, das pescarias,
dos "babas" na "praia de copacalama" e da "enseadinha",
dos banhos do cais doi cai-já das mares de março.

Chora pelo fim das camboas
que durante as noites te faziam brilhar.

Chora pela fuga das saracuras e das garças,
que mergulhavam em suas águas para se alimentarem

nos vastos cardumes de agulhinha e agulhões,
dos azeiteiros, tainhas e sardinhas.

Chora meu rio-mar, pai e mãe de todos nos Maragojipanos,
da Ponta do Ferreiro, Salaminas, São Roque, Alamão, Barra do Paraguaçu/Pedra mole, Capanema, Guai, Ponta do Souza, Nagé, Coqueiros, São Francisco do Iguapi, São Felix e Cachoeira.

Chora meu rio-mar imponente
de tantas histórias e batalhas nas lutas pela Independência.

Chora meu rio-mar dadivoso,
pelas suas filhas marisqueiras e pelos seus filhos pescadores,
que te contemplam e já não podem de ti tirar o sustento como em outrora.

Chora meu rio-mar,
rio da minha infância,
mar da minha juventude,
rio-mar de minha velhice,
rio do meu pesar,
mar do meu chorar,
rio-mar do meu amar.

Paulo Vicente Guerreiro Peixoto.

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