Carta ABERTA às Autoridades "atualmente" Constituídas de Maragogipe e da Bahia

Escrevo pois estou indignado. Escrevo na busca por soluções. Escrevo porque ainda sonho que o nosso município pode se tornar um exemplo de cidade sustentável. Mas para isso, é preciso agir. É preciso lutar, é preciso tentar de todas as formas mudar essa realidade.

Segue Carta Aberta às autoridades "atualmente" constituídas de Maragogipe e da Bahia.

Ao Governador da Bahia
Jaques Wagner

Ao Vice-Governador da Bahia
Otto Roberto Mendonça de Alencar

Ao Deputado Federal
Luiz Alberto Silva dos Santos

Ao Tribunal de Justiça da Bahia
Des. Eserval Rocha

Ao Ministério Público
Neide Reimão Reis

A Prefeita de Maragogipe
Vera Lúcia Maria dos Santos

Ao Vice-Prefeito de Maragogipe
Adhemar Luiz Novaes

À Câmara de Vereadores de Maragogipe
Ana Leite do Nascimento e demais colegas de plenário

Por Zevaldo Sousa

Este é o meu relato e pedido:

Como cidadão maragogipano, estou indignado com tudo o que está acontecendo neste nosso querido município da Bahia. Por este motivo, escrevo diretamente esta Carta Aberta às Autoridades "atualmente" Constituídas deste município e do Estado da Bahia, pois desejo provocar a mesma indignação que estou sentindo, em vossas excelências e senhorias. 

Acredito que todos temos um dose de culpa no cartório, mas entendo que às atuais autoridades citadas, em seus respectivos cargos, têm uma grande contribuição para a nossa atual, triste e deprimente realidade. A nossa sociedade não está sentindo uma mudança real no combate à violência no Estado da Bahia. Pelo contrário, não precisamos sequer de estatísticas para demostrar o que estamos verdadeiramente sentido. Um ar de insegurança, desespero, medo, tristeza e/ou qualquer conceito que seja sinônimo destes já destacados. Se a vida na periferia das cidades e nas zonas rurais já era difícil, a situação piorou e muito. São várias as queixas prestadas pelos cidadãos desta amada terra sobre os atos de violência extrema que estão acontecendo neste município. É uma realidade nova para esta cidade acostumada a viver em paz e tranquilidade. E por isso, questiono: O que está sendo feito por vossas excelências e senhorias para que essa realidade mude de verdade? Sinceramente, pouca coisa ou quase nada, ou enquanto uma instituição se esforça a outra busca destruir o que foi construído. É assim que estou enxergando a vontade de mudança de vossas excelências e senhorias. É assim que está sendo nossa realidade.

Já sei dos benefícios sociais e de suas contribuições para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, mas do que adianta melhorar a qualidade de vida se não pudermos gozá-las? O número de jovens assassinados neste município cresceu e muito e este fato precisa ser tratado com muita atenção, pois o que estamos percebendo é que muitas de nossas crianças estão seguindo pelo mesmo caminho, pois a estrutura de muitas famílias estão debilitadas, defasadas, sem nenhum sentimento de segurança. E o que podemos oferecer para estas famílias que, na maioria das vezes, têm pais e mães desorientados, despreparados e descontextualizados para enfrentar essa nova realidade que cerca nossa cidade e está cerceando os direitos humanos (individuais e coletivos) de cada cidadão maragogipano?

Não estou falando sobre nenhuma metrópole. Estou falando sobre um pequeno município da Bahia que está se tornando grande em números de empregabilidade e de violência. Uma balança que pode se tornar desigual quando a bela fruta doce da economia cair, ou melhor, for substituída por um peso menor e aí, restará apenas, um lado sobressalente da balança pesando para a injustiça social, a ignorância, e uma repugnante vida nada social.

Falei sobre este assunto durante anos. Não fui ouvido. Escrevi textos e mais textos prevendo essas mazelas sociais que cairiam sobre nossa cidade. Não fui ouvido. Agora chegou a vez de tentarmos combater essa triste realidade e traçarmos um plano para o futuro que desejamos para nossos netos. Isso mesmo. Escrevo pensando nos nossos netos, pois os nossos filhos já estão mais do que expostos. Alguns estão mergulhados e precisam urgentemente de nosso apoio e compreensão. 

Quanto aos filhos que ainda não viajaram nessa onda, resta-nos conscientizá-los sobre a importância da família e do respeito ao próximo, sobre a importância da educação, que os valores da vida coletiva sejam superiores ao individualismo, que sejam formadores de opinião e não apenas receptores de informações dispersas e sem nenhum sentido social. Resta-nos a esperança que eles assimilem bem tudo o que desejamos de melhor para eles e que sejam boas pessoas. 

Mas aqui, a questão é outra, a questão está ligada à falta de compromisso que vossas excelências e senhorias, políticos citados e representantes outorgados ou não pelo povo maragogipano e baiano. Quero lembrá-los que a nossa Constituição Federal garante dentre outros fatores, o direito à vida, à liberdade, à segurança e à igualdade. Principais conceitos presentes no Artigo 5º e é por este motivo que provoco no intuito de tentar buscar uma possível solução para este problema crônico que assolou à Bahia.

Como sei que esta Carta chegará ao governador do Estado e ao seu vice, citarei o programa de governo de Jaques Wagner deste atual mandato que ora está se findando. Vossa Excelência prometeu que iria garantir a segurança da população abordando a temática de forma transversal e com a participação da sociedade, para reduzir os índices de criminalidade e violência. Todavia, a sociedade está clamando para ser ouvida e pouquíssimas são às Audiências Públicas ou Conferências neste setor da governabilidade. Aliás, mesmo que Audiências Públicas sejam realizadas. Não impedirá que a população continue com este mesmo ar de insegurança e medo, pois na hora da execução, vossas excelências deixam de fazer e por este motivo, o descrédito. Não fiquem indignados porque estou sendo verdadeiro. Façam por merecer o crédito confiado a vossas excelências no momento da eleição até o último dia do seu mandato. É preciso lembrar, caríssimo governador e vice, que ainda há tempo para agir em todos os setores que podem intervir na consciência da população, como por exemplo, a educação, a cultura, o esporte e o lazer, assim como em setores que combatam diretamente a questão da insegurança, do medo e da violência que está cerceando nosso direito de ir e vir e nossa liberdade.

Escrevo agora para o presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Fico indignado quando vou ao Fórum Raul Chaves, no município de Maragogipe, cidade que dista de 133 km da capital baiana e não encontro um juiz titular. É uma vergonha para uma cidade que tem um número de processos acumulados muito grande, com mais de 40 mil cidadãos e com alta possibilidade de crescimento por causa da instalação de um polo naval e industrial e não tem sequer, UM único juiz titular. A cidade necessita urgente de atenção. A comunidade pede desesperadamente pela nomeação de um juiz titular na cidade. Sei que a nomeação deste não resolverá o problema da impunidade e da injustiça que por ora está mais do que presente na nossa sociedade, mas diminuirá.

Ao deputado Luiz Alberto e aos vereadores desta querida cidade. O que está acontecendo com vossas senhorias? Vejo muitos pedidos, muitas solicitações, publico várias matérias, mas não consigo enxergar nada de concreto. A estrada continua cheia de buracos (nem se fala mais da estrada para Cruz das Almas), a violência tomando conta da cidade e muitos dos atuais vereadores estão deixando de cumprir o seu papel por tão pouco. É repugnante entrar na Casa Legislativa. Não estou mais com vontade nem de marcar presença nas sessões públicas. São poucos os vereadores daquela Casa que merecem um tratamento cordial e ordeiro, fico entristecido em estar relatando sobre isso em plena carta aberta, mas é a realidade. Quanto ao deputado, ainda espero muito mais de vossa excelência. Se os vereadores de Maragogipe não estão cumprindo com o seu papel que o senhor cumpra e utilize da sua influência para que uma solução seja urgentemente tomada. Digo sempre, precisamos discutir e pensar formas de diminuir a escalada da violência nesta cidade. Para isso, precisamos tomar exemplos, tentar implantar diversos sistemas de prevenção e equipar nossa guarda municipal, mas para isso...

É preciso que a nossa prefeita Vera Lúcia assuma a responsabilidade de regulamentar junto com sua base de vereadores aliados a Guarda Municipal de Maragogipe, respeitá-la e defendê-la, colocando-a para funcionar adequadamente. Lembre-se que é a senhora que está no comando do município atualmente e neste sentido, tudo o que a senhora está deixando de fazer está refletindo em toda a sociedade. Os munícipes estão clamando por segurança. O medo está instalado em cada casa em cada coração e, por mais que este processo crescente de violência seja nacional e tenha se iniciado no governo anterior, isso não pode ser usado como desculpa para tomada de decisões. É preciso pensar para frente, olhando o passado apenas como meio para busca dos acertos e correção de erros. É preciso pensar no futuro da sociedade. Vale lembrar também que será apenas com o investimento na educação que a sociedade mudará a sua consciência com relação a tudo isso que estamos passando.

Por fim, quero falar ao vice-prefeito Adhemar Novaes e a promotora de justiça Neide Reimão. Não importa o que estão falando. É preciso agir. Falo isso, principalmente para o vice-prefeito Adhemar Novaes, pois quero que ele lembre que apesar do dito popular trazer à tona a frase: "Vice nada faz", acredito que o senhor ainda é representante de mais de 40 mil maragogipanos. Quanto à promotora, irei pedir um favor, investigue e defenda a sociedade. O sentimento que está presente na comunidade maragogipana é o da impunidade. Utilize da sua influência, se possível, para o encaminhamento de um juiz para a nossa cidade, pois não  está adiantando abrir processos sem que alguém dê o veredicto final.

É o que por ora tenho a dizer...

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