Por quê o povo do Recôncavo e em especial os maragogipanos devem defender a Petrobras

Por Alailton Silva

Há alguns meses todos vem presenciando um ataque sistemático da mídia contra a Petrobras, sob uma suposta justificativa de proteção da empresa contra casos de corrupção. Não entrarei neste mérito da corrupção, pois pretendo discorrer sobre o assunto em textos posteriores.

O fato que vejo que atrás destes ataques estar posicionado um grupo político da oposição do atual governo federal, que estar utilizando da empresa que mais encarna o espirito de orgulho nacionalista brasileiro, como palanque politico para as próximas eleições.

Lembro a todos que este é mesmo grupo politico que tramava outrora a venda da empresa para o capital estrangeiro, chegando ao cumulo, de com dinheiro público, encomendar um estudo de mudança da marca da empresa, na qual se planejava retirar a letra “s” do nome da empresa e colocar a letra “x”, além da mudança das cores da marca, que se substituiria o verde e amarelo pelas cores vermelho e azul. Apesar de tudo, a defesa da empresa que aqui proponho não estar alinhada a nenhum das correntes partidárias, seja ela entreguista ou nacionalista, mas sim sob o ponto de vista desenvolvimentista da cidade de Maragogipe e região.

O que justifica tal defesa é o fato que hoje a Petrobras é responsável pela retomada de crescimento de outra cadeia industrial que estar intrinsicamente ligada ao setor de energia, petróleo e gás, qual seja, a cadeia da indústria naval, grande geradora de riqueza (emprego e renda), tão quanto à própria cadeia produtiva de energia, petróleo e gás.

A indústria naval em nosso país remonta ao Império brasileiro, quando o Barão de Mauá, com recursos próprios e de terceiros monta no Rio de Janeiro o primeiro estaleiro para construção de embarcações, deste momento em diante a indústria naval brasileira é essencialmente sustenta por dinheiro público, atingindo na metade do século passado o status de umas das maiores indústrias do mundo. Porém após este apogeu a indústria naval brasileira passa a sofrer enorme declínio, atingindo na década de noventa, com o incentivo da politica do governo Collor de comercialização de produtos importados, o nível de emprego e renda mais baixo de sua historia, não existiam pouco mais de mil empregos gerados pela indústria em todo país.

Buscando mudar esta atroz realidade, em 2003, o governo Lula planeja a retomada da indústria naval brasileira com a politica de conteúdo local, a qual exige que a Petrobras como uma das maiores compradoras de embarcações do mundo passe a dar prioridade a aquisição de embarcações dos estaleiros brasileiros, exigindo o mesmo para todas as empresas da cadeia produtiva de energia, petróleo e gás. Em 2013 a indústria naval brasileira, ou seja, apenas dez anos após a politica de incentivo ao conteúdo local, já fecha o ano com o maior nível de empregabilidade de sua historia, foram gerados mais de 70.000 (setenta mil) empregos. A riqueza desta indústria vai além da empregabilidade, possui enorme potencial de promover o desenvolvimento das cidades onde elas se instalam, assim como das cidades em seu em torno.

O recôncavo baiano e a cidade de Maragogipe se encontram inserido no contexto acima identificado. Uma grande mídia do país, a revista Veja, apontou que o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, situado na cidade de Maragogipe, apesar de ser um empreendimento ainda em construção, figura como a sexta melhor oportunidade de emprego do país.

Pois bem, esta retomada de crescimento da indústria naval brasileira e do potencial desenvolvimento da Petrobras com a descoberta das reservas de petróleo do Pré-sal claramente estar a atingir interesses de grupos econômicos internacionais fortíssimos e também alguns países desenvolvidos, como é o caso Estados Unidos. Lembro a todos o escândalo do ano passado em que foi comprovado que os Estados Unidos espionavam a Petrobras para descobrir informações sobre suas reservas de petróleo do Pré-sal.

São exatamente estes grupos econômicos e países estrangeiros que estão por trás destes ataques a Petrobras, não somente isso, eles resolveram também agenciar grupo politico local, bem como agenciam parte da mídia deste país para promoverem seu plano sistemático de se apropriar das nossas riquezas.

Vamos ao exemplo do que estou falando dentro de nossa realidade local, a direção da Petrobras estar sofrendo enorme pressão do mercado comandado por estes grupos econômicos e países desenvolvidos, para desistir da aquisição das plataformas e embarcações perante aos estaleiros nacionais, tanto é verdade que no início deste mês, retirou da carteira do Estaleiro Enseada do Paraguaçu duas embarcações das seis que o empreendimento estava previsto para construir.

Consequentemente o empreendimento suspendeu a construção do seu dique seco, decidindo que partes da construção das demais embarcações que dependem do dique seco serão realizadas em outros estaleiros já existentes. De início o município de Maragogipe já perdeu na questão da geração de empregos. Já que as embarcações e plataformas retiradas da carteira do Estaleiro Enseada do Paraguaçu foram contratadas em países estrangeiros por imposição do referido mercado.

Desta forma, concluo que o município de Maragogipe e a sua região onde este se encontra inserido, o recôncavo baiano, já vem perdendo e muito com estes ataques desproporcionais a Petrobras, assim como pode perder muito mais com a retração da indústria naval que possui enorme potencial como geradora riqueza para cidade, para região e todo o país. É PRECISO ATENÇÃO E MAIS UMA VEZ OS BRASILEIROS VESTIREM A CAMISA DA PETROBRAS PARA PROTEGÊ-LA DO CAPITAL ESTRANGEIRO QUE CLARAMENTE PRETENDE USURPAR AS NOSSAS RIQUEZAS.

ALAILTON TAVARES SILVA
Advogado, militante da área do Direito do Trabalho e Direito Público, membro da comunidade da Enseada do Paraguaçu, cidade de Maragogipe no Estado da Bahia.

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