A violência toma conta e mostra o nosso próprio mal

Por Zevaldo Sousa

É inconcebível ver essa situação e não se comover, e não sentir e não tentar entender o que está acontecendo no nosso município. Maragogipe está vivendo uma situação ímpar em toda a sua história e acredito, nem no tempo das guerras de Independência, o maragogipano não viveu tão assustado. Naquele período a guerra era contra o português colonizador que não aceitava a nossa independência e liberdade, agora é contra o tráfico, a violência e o terror.

Fico a imaginar, tristes situações que estão ocorrendo por todo o município. Aliás, um município que outrora gozava de certa liberdade e de autoridade para inclusive divulgar para todo o país que o seu "São João era de Portas Abertas", hoje perdemos todos os dois conceitos.

Não temos liberdade, vivemos acuados, entre muros e grades que, parafraseando Engenheiros do Hawaií, nos protegem do nosso próprio mal. Evitamos sair das nossas residências e estamos esquecendo que existem as balas perdidas ou até mesmo direcionadas.

Não temos mais autoridade, pois como podemos passar uma bela imagem positiva do município com tantas mortes, tantas tragédias, tantas situações que dantes existiam com tão pouca frequencia na nossa querida cidade. Não temos mais a autonomia para chamar um amigo para visitar pois nem podemos mais apresentar com certa liberdade a nossa cidade.

O maragogipano está receoso e as mudanças estão longe de acontecer não somente com este governo atual mas com tantos outros que venham a aparecer nas próximas eleições. Os poderes públicos: municipal, estadual e federal estão inertes à essa situação que toma conta do nosso Brasil, da Bahia e do nosso município, e que diga-se de passagem, não é o único lugar que está vivenciando toda esta situação extrema.

Hoje, li em postagens no facebook que ontem, presenciamos uma situação bem parecida com a faixa de Gaza. A noite, rajadas de tiros iluminavam, bombas, casas incendiadas, guerras generalizada e o medo tomando conta das pessoas, ou melhor, de muitas pessoas (de crianças a idosos).

Da minha casa, ouvi o barulho dos tiros e preferi, ficar pensativo, imaginando e por fim, rezando para que nada de ruim viesse a acontecer com pais e mães de família, com crianças e idosos inocentes.

A violência tomou conta da nossa cidade e sem sombra de dúvida, está mostrando o nosso próprio mal, pois tudo isso é fruto de desinformação ou de informação mal assimilada ou de pais e mães que não conversam com seus filhos, ou não tem autoridade. A família, o respeito, a dignidade e a honestidade estão em segundo plano na nossa sociedade. A grande maioria é corrupta. Se vende por um mísero dinheiro, ensina filhos a roubar e quebrar regras com tanta facilidade que esquece que um dia o aluno corruptivo pode virar contra o professor.

Incêndio no Alto do Cruzeiro (Por Alberto Sá)
Se você não tem ética, não tem como cobrar, não tem como ensinar, não tem como falar a verdade que precisa ser dita para seus filhos e amigos. Aliás, é essa juventude que precisa ser priorizada. Por este motivo pergunto: Como ficarão os estudantes do período noturno? Duas mortes e muitos tiros e bombas, casa incendiadas em apenas alguns horas.

O medo toma conta e tudo isso é nossa culpa.

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