O que aconteceu com a Lavagem Popular da Festa de Agosto?

Este é um dos poucos momentos mágicos desta terra das Palmeiras que gosto de analisar com muito cuidado e atenção. 

Nestes últimos 8 anos, a Lavagem Popular da Festa de Agosto se tornou um dos momentos mais discutidos pela sociedade maragogipana, todavia, o seu modus operandis continua o mesmo de anos atrás.

A Lavagem da Festa de Agosto é um dos momentos mais mercantilizados na nossa cultura popular, e só perde em espaço propagandístico para o Carnaval de Maragogipe. 

Para alguns, o impacto desta lavagem na economia, nestes últimos anos foi muito bom; para outros, não. As contradições são a marca desta festa. Os efeitos desta festa na infraestrutura da cidade nos últimos anos sempre foi devastador e, não sei se valia a pena, tanta propaganda numa festa de um dia, com denotação apelativa negativa e com pouca atratividade cultural, social e infraestrutural.

O crescimento desordenado da festa foi o tiro pela culatra. Vendemos gato por lebre e com isso, a velocidade da atração dos visitantes por esta festa foi tão rápida quanto seu repúdio. Os visitantes não encontravam atrativos reais. Tudo se deu como uma rápida paixão.

Mas, o que aconteceu com a Lavagem Popular da Festa de Agosto? E quais são nossas perspectivas de mudanças?

Com relação a última pergunta. Vou ser sincero. Nenhuma. Não consigo enxergar mudanças significativas nesta festa que tende a desorganização em massa. Provoco-me tentando respondê-la na primeira pergunta que respondo da seguinte forma.

Em 2014, enxerguei três aspectos negativos que influenciaram e muito na atratividade de foliões para esta festa histórica. Leia:
  1. A LAVAGEM POLÍTICA: Este impacto não é tão devastador, mas afasta alguns maragogipanos que já estão cansados com promessas em ano de eleição.
  2. OS PROBLEMAS INFRAESTRUTURAIS DAS ÚLTIMAS LAVAGENS: Creio, que a falta de organização do município como um todo, por conta de políticos que só pensam no impacto negativo da festa no seu governo caso esta não seja executada, é um dos maiores problemas. O problema está no crescimento desordenado de uma festa numa cidade que não consegue se organizar por conta de diversas picuinhas. O mês de Agosto não está mais parecendo ser religioso e cultural, mas está parecendo ser um mês em que os ânimos estão acirrados, e onde as contradições ficam cada vez mais latentes e isso tudo influencia na RECEPTIVIDADE do visitante/turista. Nestes últimos anos, o visitante não foi tão bem recebido, não encontrou qualidade na grande maioria dos poucos pontos de alimentação que existem na cidade, assim como, não contou com grande número de leitos para descansar a alma e o corpo. Para piorar a situação, muitos não conseguiram chegar na cidade, pois o engarrafamento na entrada da cidade era tão grande que muitos preferiam tentar se divertir em Coqueiros e Nagé ou ficar no próprio ônibus. E aqui, irei definir o fator que predomina e mantém esta festa tradicional diante de tantos problemas: O MARAGOGIPANO. Este sim, merece destaque, pois sem sombra de dúvida, se não fosse por ele, muitos turistas não voltariam nunca mais para esta cidade, mas como o maragogipano consegue, apesar de todos os percalços, contribuir de alguma forma para que esta festa continue sempre viva. Ele faz a sua parte com amor e afinco. Neste sentido, o que está faltando realmente é de um plano que tenha como objetivo principal pensar e organizar, não somente esta festa, mas todas as festas deste município.
  3. A VIOLÊNCIA: Acredito que este impacto foi devastador e afastou e muito os visitantes que desejavam conhecer a cidade, além daqueles que, mesmo com todos os problemas citados na segunda opção, ainda gostariam de visitar nossa cidade novamente, mas fugiu com medo da violência que atingiu o nosso município.
Uma coisa é certa. Tudo necessita ser repensado. E aqui vai uma proposta: Por quê não modificarmos o teor da lavagem?  Devido o fato da nossa cultura ser rica, pensei em uma Lavagem Cultural da Festa de São Bartolomeu, onde grupos de Samba de Roda poderiam se apresentar não somente no palco principal, mas também em outros pequenos espaços espalhados pela cidade. Assim como, grupos de capoeira, entre outros convidados especiais ligados à arte, a cultura e a musicalidade deste nosso lindo recôncavo. Quem faz a festa é o povo, logo, precisamos dar esta oportunidade para que eles mostrem o seu valor.

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