Carta do Leitor: Em defesa do curso de Engenharia Naval pela UFRB em São Roque do Paraguaçu

Por Victor Rocha

O Estaleiro de Enseada do Paraguaçu irá em breve produzir navios e sei da vontade da juventude de São Roque, e de todo o recôncavo, de se qualificar para ter seu emprego, sair da casa dos pais e trilhar seu próprio caminho. Acho isso fantástico. Andava pelo distrito nas visitas domiciliares e via tantas casas em reforma ou ampliação. Aquilo era um sinal de mudança para melhor. No trabalho como médico no distrito, atendia a muitos soldadores, caldeireiros, técnicos diversos, mas nenhum engenheiro.

A formação universitária pode ser um próximo passo para quem já é técnico ou um passo direto para quem terminou ensino médio. Vejo o cenário de São Roque, com sua juventude do Kleber Pacheco, com o estaleiro e a Petrobrás, e com a UFRB, como condições mais do que dadas para a articulação de um curso de graduação em Engenharia Naval público. O acesso da juventude para ensino superior é muito difícil no interior. É preciso dinheiro para se bancar em outra cidade. Trazer para perto é fundamental, e a UFRB ainda precisa contemplar Maragogipe. O Engenheiro Naval é o profissional responsável pelo projeto de barcos, plataformas, submarinos, robôs e todo tipo de tecnologia destinada e exploração de mares, oceanos e rios. Existem já cursos de graduação públicos no Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Recife e Florianópolis e um curso de especialização em engenharia naval pela UFBA, em Salvador, que já está formando turmas.

A indústria naval hoje já tem quase o tamanho da indústria automobilística no Brasil, empregando 70 mil trabalhadores e trabalhadoras. O engenheiro naval coordena, projeta essa indústria. A Petrobrás precisará de um número enorme de novos navios, sondas e plataformas para explorar o pré-sal.

Enfim, acredito que seja uma tarefa da cidadania consensuar um discurso comum, agregar mandatos de parlamentares baianos para um diálogo com a reitoria da UFRB e o Ministério da Educação.

Victor Rocha é médico de família em Itinga (Lauro de Freitas-BA) e Professor pela Universidade Federal da Bahia.

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