Enseada confirma demissões; consórcio e contratante são alvos da Operação Lava Jato


A Enseada Indústria Naval S.A. confirmou nesta quarta-feira (10) o corte de 1/5 dos funcionários do estaleiro realizado nesta terça-feira, dia 9 de dezembro. Em nota, a companhia informou que “a redução inicial foi de 470 integrantes do Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP), mas o número potencial deve atingir 1.000 trabalhadores diretos ainda no mês de dezembro” e que, após as demissões ocorridas nesta terça, o consórcio está com efetivo de 2,7 mil trabalhadores, além de outros mil trabalhadores diretos que já atuam na operação industrial da Enseada. Ainda de acordo com o consórcio, as demissões ocorreram para a “preservação do empreendimento”, “tendo em vista a indisponibilidade momentânea de recursos financeiros do seu principal cliente, a Sete Brasil”. 

O estaleiro, que está sendo construído em Maragogipe, no Recôncavo baiano, é um dos cinco contratados pela Sete Brasil para fabricar 29 sondas que serão utilizadas na exploração do pré-sal. Segundo informações do jornal O Globo, a empresa abriu auditoria em seus contratos com o estaleiro após um de seus diretores, Pedro Barusco, ser envolvido nas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga denúncias de corrupção na Petrobras. 

Barusco, que é ex-gerente na estatal, foi indicado para a diretoria da Sete Brasil pelo então diretor de Engenharia da petrolífera, Renato Duque, preso durante a sétima etapa da Lava Jato. Três empresas que compõem o consórcio Enseada, que juntas respondem por 70% das ações do grupo, também estão envolvidas nas apurações da PF: OAS, Odebretch e UTC. 

De acordo com a Enseada, “a expectativa no curto prazo, é que a situação seja normalizada e o fluxo de pagamentos retomado por parte do cliente, o que possibilitará nova aceleração no ritmo de implantação do Estaleiro em Maragogipe, na Bahia, hoje com mais de 80% de conclusão das obras”.

Por Luana Ribeiro

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