Nota do Sintepav fala sobre crise na industria naval que ocasionou a demisão de centenas de trabalhadores em Maragogipe


A revitalização da Indústria Naval tem impacto na cadeia produtiva do país e gerou um crescimento no investimento e no emprego. O crescimento de 19,5% ao ano desde 2000 consolidou o setor e este tem demanda para atender por mais 25 anos segundo o IPEA. No Brasil, a expectativa de geração de empregos nesse setor até 2016 é de 100 mil empregos. Com a decisão de construir um estaleiro no Recôncavo baiano, a região aparece como importante ponto de produção deste setor e a geração de emprego para a construção desse estaleiro vêm alterando a dinâmica regional.

Com a decisão de construir um estaleiro no Recôncavo baiano, a região aparece como importante ponto de produção deste setor e a geração de emprego para a construção desse estaleiro vêm alterando a dinâmica regional. O Estaleiro é o maior investimento do Estado e sua execução gera milhares de empregos diretos e indiretos. Na fase de construção são mais de 6 mil trabalhadores majoritariamente baianos e da região do recôncavo . Além do emprego a cadeia produtiva encontra-se ativa, com inúmeros serviços sendo realizados. Os dados indicam alteração positiva do perfil socioeconômico da região.

A mobilização da região, das lideranças políticas e sociais significou a crença e reconhecimento da importância de uma nova matriz econômica, mais que isso, compreendemos que o empreendimento é conquista da Bahia.

O Sintepav Bahia, sindicato representativo dos trabalhadores, entende que a atual crise política gerou impacto na economia, sobretudo, na Indústria Naval. Assim, verificamos que a crise chegou ao estado da Bahia. É preciso, portanto, que a sociedade se mobilize no sentido de garantir que o maior investimento privado dos últimos anos, Estaleiro Paraguaçu, não acabe por falta de pagamentos da Sete Brasil, o que já vem ocorrendo há meses e que agora vai desaguar na parte mais frágil, no entanto, a mais operosa e comprometida tecnicamente, que são os trabalhadores do Estaleiro. Somente na última segunda-feira (08/12) e ontem (09/12), do total de 5.000 trabalhadores iniciou-se um processo de demissão que atingirá 1.000 trabalhadores até a quarta-feira (10). Os trabalhadores não podem pagar o preço da inadequação financeira da Sete Brasil e a Bahia não pode aceitar passivamente esta atitude.

O Sintepav Bahia mobilizará os trabalhadores para reagirem às demissões, ao tempo em que conclama o Governo da Bahia, os Prefeitos da região do Recôncavo, a FIEB, os acionistas dos empreendimentos, cujas empresas são baianas, a assumirem o protagonismo, visando garantir a continuidade do empreendimento. Não podemos ficar calados e assistir a demissão de milhares de trabalhadores ou o encerramento da atividade, pois queremos um Brasil justo com emprego e distribuição de renda.

Finalmente, entendemos que os trabalhadores não podem ser sacrificados em nome daqueles que praticaram desmandos. A demissão de milhares de trabalhadores causará impacto direto na economia local, diminuindo drasticamente o fluxo de renda na região, a paralisação da obra terá impactos a jusante e a montante na cadeia produtiva, tanto para a Indústria Naval.

O Sintepav Bahia fez em caráter de urgência uma assembleia com os mais de 5.000 mil trabalhadores que ainda estão na obra para decidir a posição em relação a esse nível de demissões e aos problemas que estamos enfrentando.

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