Pesca com bomba pode levar à escassez de espécies marinhas


Antes de ser iniciada a construção do Estaleiro, em Maragogipe, diversos programas ambientais começaram a ser implementados na região, a maioria deles sobre monitoramento de espécies nativas e seus habitats. A Enseada assumiu importantes compromissos com órgãos ambientais e comunidades nativas e tradicionais, mas um problema ameaça a vida marinha local e a subsistência de pescadores e marisqueiras: a pesca predatória.

A pesca com bomba, por exemplo, é considerada um crime porque afeta não só a cadeia alimentar, destruindo grandes cardumes ainda em processo de maturação e reprodução, como também afeta a biota aquática (conjunto de todos os seres vivos de um determinado ambiente). “Além do risco de o pescador perder membros e até a própria vida, a pesca com dinamite causa danos irreversíveis à natureza, atingindo direta e indiretamente diversas espécies aquáticas. Nós nos preocupamos porque desde o início temos tido um olhar especial para o meio ambiente”, comentou Alexandre Silva, da equipe de Sustentabilidade da Enseada.

Dos 20 programas ambientais que a Enseada desenvolve na Área de Influência Direta (AID) e que integram as condicionantes da Licença de Operação, 14 são de monitoramento ambiental. Um deles é o de acompanhamento da biota aquática (bentos, cetáceos, moluscos, quelônios, plânctons e ictiofauna), que é duramente afetada pela pesca com bomba, informou Alexandre.

Evandro dos Anjos, pescador nascido e criado na comunidade quilombola de Enseada do Paraguaçu, não aprova quem retira do mar peixes de forma ilegal. “Tenho minhas redes que pego camarão e tainha à noite, e penso o seguinte: acho muito ruim quem pesca com bomba ou rede miúda porque mata o que a gente não quer nem precisa. Muito peixe pequeno não sobrevive. Pescar desse jeito mata demais”, declarou Evandro.

A multa para quem pratica pesca com bomba pode acarretar pena de reclusão de 01 a 05 anos.

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