Sete Brasil paga por sondas do pré-sal que sequer foram construídas


A Sete Brasil, empresa criada em 2010 para viabilizar a construção de sondas do pré-sal no Brasil com estaleiros nacionais, já pagou a cinco estaleiros US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 16,2 bilhões), o que corresponde a 30% dos US$ 22,2 bilhões (R$ 55,5 bilhões) contratados. Alguns pagamentos se referem a sondas que sequer tiveram suas obras iniciadas. Das 29 encomendadas, só cinco estão em construção, e a previsão é de que a última seja entregue em 2019. A informação foi divulgada pelo O Globo nesta terça-feira, dia 25 de novembro, em reportagem assinada por Bruno Rosa e Ramona Ordoñez.

O Jornal do Brasil já vinha acompanhando movimentos relacionados à Sete Brasil. No passado, houve negociação para que a OSX - companhia da indústria naval offshore de Eike Batista - fosse vendida a esta mesma empresa. Há informações que um dos banco acionistas já teria manifestado interesse em que OSX fornecesse equipamentos também para a Sete Brasil.

No início deste ano, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) absorveu uma de duas sondas de perfuração da Sete Brasil que em 2012 eram negociadas com o estaleiro da OSX. Cada sonda da Sete custa mais de US$ 800 milhões.

Em 2012, a Sete tinha 30 sondas no portfólio - duas extras sem contrato, que estavam sendo negociadas para construção pela OSX, de Eike Batista.

De acordo com a reportagem de O Globo, a Sete Brasil teria sido idealizada a partir de 2008, na Diretoria de Engenharia da Petrobras, chefiada na época por Renato Duque, preso na Operação Lava Jato. Duque teria indicado Pedro Barusco para uma diretoria na Sete Brasil. Barusco, ex-gerente da estatal e também investigado na Lava Jato, admitiu ter enviado para o exterior dinheiro fruto de propina em obras da Petrobras.

Agora, Barusco envolve também a empresa Sete Brasil em caso de suposta irregularidade.

A reportagem informa ainda que a empresa tem contrato com a Petrobras para afretar 28 sondas por até 20 anos a um custo de US$ 87 bilhões (R$ 217 bilhões). Como a Sete Brasil já gastou um terço do investimento previsto com dois estaleiros em construção (Jurong e o Enseada Indústria Naval, na Bahia) e outros dois em expansão (Atlântico Sul, em Pernambuco, e o Rio Grande, no Sul), há o risco de a companhia precisar de mais recursos antes de entregar as últimas sondas, forçando a uma renegociação dos contratos com a Petrobras. Dos cinco estaleiros contratados, só o Brasfels, de Angra dos Reis, não passa por reformas, informa O Globo.

Após a notícia que veio à tona na Operação Lava Jato de que Barusco estaria ligado ao esquema de corrupção na Petrobras, a Sete Brasil abriu auditoria interna nos seus contratos com os estaleiros. De acordo com a reportagem, acionistas estariam rechaçando a possibilidade de aportar mais recursos na empresa.

Ainda segundo a reportagem, o Atlântico Sul, que tem entre os sócios Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, empresas que tiveram executivos presos na Lava Jato, fechou contrato para construir sete sondas. Apesar de a primeira estar prevista para ser entregue em fevereiro de 2016 e a última em julho de 2019, o estaleiro já recebeu US$ 1,692 bilhão de US$ 4,637 bilhões — 36% do total.

O Enseada da Indústria Naval tem entre os sócios Odebrecht, OAS e UTC — também investigadas na Lava-Jato. Com a primeira sonda para ser entregue em julho de 2016, o estaleiro já recebeu US$ 1,055 bilhão, 22% dos US$ 4,791 bilhões. O Jurong, também em construção, com seis sondas, recebeu US$ 1,338 bilhão, ou 28,14% dos US$ 4,754 bilhões, acrescenta a apuração de O Globo.

Fonte: O Globo e Jornal do Brasil

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