Empréstimo pode ser alternativa para estaleiro em Maragogipe


Por Joyce de Souza (A Tarde)

A disposição revelada pela presidente Dilma de tentar acelerar a liberação de empréstimos nos bancos oficiais para sanar as dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa Sete Brasil traz um novo alento para o Estaleiro Paraguaçu - considerado o maior investimento privado na Bahia nos últimos dez anos. A Sete Brasil é a principal cliente do projeto de R$ 2,7 bilhões, situado no município de Maragogipe, na Região do Recôncavo.

Os planos da empresa foram interrompidos, depois das suspeitas do envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. "Quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) retém empréstimo, o Banco do Brasil mesmo aprovando a proposta não contrata", destacou, em nota, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada da Bahia (Sintepav).

Por conta da crise, cerca de mil funcionários já foram demitidos pela Enseada Indústria Naval, consórcio responsável pelo estaleiro baiano, sendo integrado pelos grupos Odebrecht e OAS, além da UTC, de forte atuação no estado. Há ainda uma sociedade (30%) com a japonesa Kawasaki, que assina a alta tecnologia prevista para o empreendimento.

Por Lúcio Távora (Ag. A Tarde)
Empréstimo
Na reunião que teve esta semana com os presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e BB, Aldemir Bendine, Dilma teria pedido urgência na liberação de recursos para a Sete Brasil , que somam aproximadamente R$ 10 bilhões, considerando propostas já aprovadas ou em avaliação nas duas instituições. A empresa foi criada pelo governo com o objetivo de usar o pré-sal para reaquecer a indústria naval, tendo como principal sócio a própria Petrobras.

Com a liberação de empréstimos, a intenção seria destravar as obras de construção de 28 navios do tipo sonda encomendas pela Sete Brasil, dentro da programação inicial de exploração do pré-sal até 2020. Com a interrupção das atividades da empresa, que é a maior fornecedora da Petrobras nos projetos do pré-sal, as dívidas junto aos estaleiros de todo o Brasil já teriam ultrapassado R$ 800 milhões.

No caso do projeto baiano do Estaleiro Paraguaçu, que segundo a Enseada já está com 82% das obras concluídas, a falta de repasses de recursos, que totalizam US$ 210 milhões, já teriam gerado as demissões nos últimos dois meses, sendo que outros mil funcionários estão em férias coletivas, aguardando uma definição da questão. "É inadmissível que pessoas tenham cometido erros e a Bahia e o Brasil paguem por tais atitudes", afirmou o presidente do Sintepav, o deputado federal Bebeto Galvão (PSB).

No início deste mês, o sindicato já havia emitido nota cobrando "uma atitude mais forte por parte das lideranças econômicas e políticas". Mesmo após a reunião convocada por Dilma para tratar do assunto, a Enseada Indústria Naval preferiu, por enquanto, não se pronunciar sobre o assunto, "até que os recursos para a Sete Brasil sejam efetivamente liberados", como informou por meio de sua assessoria de comunicação.

A questão é que, para assinar um contrato com a Sete Brasil, o BNDES teria exigido que a Petrobras e os estaleiros cumpram uma série de exigências previstas na nova Lei Anticorrupção.

Fonte: A Tarde

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