Apesar dos pesares: Em 2015, o maragogipano realiza o carnaval da resistência, pois a praça ainda é do povo


Por Zevaldo Sousa

Neste Carnaval de Maragogipe 2015, por diversos motivos, muitos foram os sinais de esvaziamento das ruas, mas também muitos estão sendo os sinais de resistência. É fato, não podemos negar que houve um enfraquecimento da festa momesca, mas isso não significa a sua morte. Percebo que a população maragogipana, mais uma vez, está disposta a resistir, como aconteceu em diversos outros momentos da sua estimada história.

O carnaval é nosso! O carnaval é do povo maragogipano que mantém suas raízes com muita alegria e criatividade. Em 2015, as fantasias e os mascarados encontrados nas praças centrais da cidade de Maragogipe são sinais de amor ao carnaval que é tradicional e que está no cerne da cultura maragogipana.

Mas, o que falta para darmos a volta por cima? 

Resistir é um primeiro passo. O próximo passo é organizar a resistência na busca pela vitória contra os males que atingem nossa cidade. Visto que, foram estes mesmos males que tentaram desfazer nossa alegria maior. 

Posso citar com propriedade que até o presente momento, poucos foram os momentos em que a sociedade maragogipana discutiu em conjunto a importância do título de Bem Imaterial do Estado da Bahia que o nosso Carnaval recebeu com muita dignidade e honradez. Nós merecemos este título pela produção cultural da nossa cidade, mas e o futuro? Será que nossos filhos e netos estão sendo preparados para manter esta tradição? E vale ressaltar que não estou falando apenas dos foliões, mas principalmente dos atores culturais como: cantores, compositores, artistas e atores da praça dos mascarados. 

Percebo que para além destes detalhes, estamos deixando de lado outras discussões importantes deste processo cultural como a criação de um Estatuto ou Regulamento geral de festas populares para definirmos em lei o que pode e o que não pode nos momentos festivos. Mas vale lembrar que esta discussão não pode vir de cima para baixo, mas deve partir da população para que a administração pública tome as medidas necessárias para a manutenção desta tradição. Nosso Norte é o Sul.

Ressalto que, não se pode tomarmos uma recomendação como lei e baixarmos a cabeça sem lembrar às nossas autoridades constituídas o verdadeiro papel delas dentro do contexto social. Eles são nossos representantes legais  e precisam ouvir os anseios da sociedade para definir marcos e posturas dentro da municipalidade.

Se você realmente deseja ver o Carnaval de Maragogipe firme e forte. Lembre sempre da nossa história e da nossa cultura e diga para si mesmo e para àqueles que querem acabar com sua festa: A praça é do povo!

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