Carnaval de Maragogipe 2015, breves considerações (Por Erick Conceição)


Por Erick Conceição

Todo Maragogipano(a) estava na expectativa de como seria a manifestação carnavalesca do ano de 2015, em decorrência dos últimos acontecimentos nefastos de violência que a cidade esteve envolvida. A festa momesca de 2015 foi um tanto diferente de todas as outras, os sentidos da festa se modificaram. Um sentimento de receio, desconfiança pairava no ar, aquela espontaneidade de outrora foi reduzida drasticamente, era como se estivéssemos pisando em ovos.

No domingo de Carnaval quando me dirigi a Praça Conselheiro Antonio Rebouças, um nó na garganta ficou entalado, ao ver uma manifestação festiva mais parecer um ritual fúnebre, parecia uma Quarta-Feira de cinzas em pleno Domingo de Carnaval. Não via mascarados, que para mim é o elemento principal da festividade maragogipana. Vi poucos turistas, vi poucos visitantes, vi vendedores e ambulantes com o semblante de medo, de não saberem como iriam pagar as dívidas.

Apesar dos pesares, a festa ocorreu e eu destaco a resistência de quem se mascarou, de quem se travestiu, de quem se fantasiou e foi celebrar a festa que é Patrimônio Imaterial da Bahia, pois a festa é o povo quem faz. A quantidade de caretas foi aumentando com os dias, pois a desconfiança que pairava foi se perdendo. Mas, um fato que me entristeceu foi a concentração da festa na praça, os demais bairros não cheirava a carnaval, não respirava a festa momesca. Fiz questão de percorrer os bairros, sobretudo os periféricos e vi as pessoas em suas casas, onde antes ficavam em suas portas interagindo com os mascarados. Caminhei pelas ruas da cidade travestido e refletindo sobre essa nova espacialidade da festa, que foi de certa forma forçada.

Destaco como ponto positivo deste Carnaval a presença de artistas como Mariene de Castro, Jau, Bailinho de Quinta e os filhos da terra. Acredito que este tenha sido um fator importante de sustentação do Carnaval de 2015, pois se não houvessem artistas que tem um nome no cenário da música, a satisfação com a festa seria muito mais abaixo do que foi.

Considero este carnaval de ruim para razoável, não me iludi com os ótimos shows, pois o que eu queria ver mesmo era a espontaneidade de antes, e os mascarados nas ruas brincando sem medo, interagindo e dando essa leveza e alegria que eram as características mais marcantes da festa maragogipana. Fico na esperança de um Carnaval melhor em 2016, mas para além disso, fico na esperança de ver a paz e a alegria reinarem em nossa cidade nos 365 dias do ano.

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