Reflexão sobre os tons da humanidade: "Subversão ao Tom-Homem".

"Subversão ao Tom-Homem".

Por: Rafael Fernandes

Questionável? adj.m. e adj.f. Que pode ser questionado; que se consegue ou se deve questionar. No meu ponto de vista: Questionável seria toda imagem a priori que te faz refletir de forma cautelosa e precisa sobre qualquer coisa; qualquer coisa profunda. O que me fez - e faz - analisar o mundo sem contos de fadas.

Uma palavra (verbo) que se usada no infinitivo – questionar, (Supressão deste texto “Se questionar”) nos permite de forma fidedigna analisar esse mundo onde as pessoas voam; a agenda sempre está cheia, e o tempo nunca ninguém tem. Um mundo onde as pessoas se individualizam e interiorizam. Onde o virtual é melhor que o real; a razão é "melhor" que a emoção. Dinheiro é o centro da atenção. Onde é impossível não generalizar porque a máxima é a massa. Que grave. E nesse mundo, o que será que essas mesmas pessoas se questionam? Será que sobre o desperdício? Seca? Sobre o mundo ir mal? (Prefiro: Sobre os problemas do mundo?) Será?

Bem, eu talvez não fosse a melhor pessoa para falar disso (Prefiro: sobre este assunto) - dependo tanto desse mundo "globalizado". Mas vejo que não era (sou), até então, a pior pessoa para falar disso (deste assunto), e me apoio nesse fato para apelar, escrever e tentar subverter a ordem que até então sigo. Seguia. Estava fazendo inúmeros planos, sonhando acordado, decolando em uma velocidade tão rápida quanto os 800 km/h de um voo doméstico. Não durou muito, o sonho foi cancelado quando contrastes me revelaram inúmeras questões. Marcava pouco mais de 05h30 da matina. Ainda que o nascer do sol lançasse seus reflexos em direção a minha face, tinha certeza que esse não era o motivo da "visagem" à frente. Porque de fato não era. Dorme os verdes, acordam os tons cinzas; preto. Acorda o "tom-homem"; o tom que mata sem querer - ou querendo - a vida. A estrada sinuosa preparava surpresas gritantes. Via-se uma mistura intrigante e instigante: vegetação, vegetação queimada, pontes, postes elétricos, lixo. Um absurdo humano. Como assim? O que fizeram com o mundo? O que fizeram com nós? Parecemos estarmos tão acordados, mas a verdade é que estamos dormindo. Tão "analfabetos funcionais".

Era uma viagem de descanso. Mas, pelo menos meus medos, não descansaram. Me questionei (Questionei-me) a viagem toda sobre a discrepância que pude notar. Era algo tão sufocante. Tão marcante como os tons das obras de Edvard Munch Between. Mas não era uma obra de arte; não eram as obras de Edvard. Era um verdadeiro declínio contemporâneo. Foi algo que me fez fazer uso do clichê: o mundo vai mal. A estrada revelava o que eu, ainda que com olhos bem abertos, não conseguia ver em outrora: a destruição de tudo, por todos; ou pelo menos por quase todos. Até onde chegaremos? Até quando o mundo vai aguentar?

Saia do seu mundo encantado. Olhe para os lados, para fora da caixinha. Permita-se analisar, porque o assunto aqui é sério. Estou falando da destruição instantânea dos ecossistemas. Falando de números significantes e assustadores, como por exemplo, o aumento significativo de queimadas no Brasil. Só no ano passado (2014) o número de queimadas foi 70% maior em relação ao ano anterior (2013). Tem noção? Um aumento de 70% em apenas um ano. Estou falando também de prejuízos anuais de até 8 trilhões de reais. Falando de uma destruição que atinge afluentes do Rio São Francisco. Falando de uma realidade que não é única dos nordestinos: a seca. Não está convencido ainda? Estou falando do prejuízo do mundo que descortina amanhã; do mundo que você pretende ascender seus sonhos; do mundo que sua nova geração não vai mais se importar com o progresso que tanto se fala nos dias atuais. Não vai se importar porque, se não fizeres nada, não haverá progresso. Termos como esse, no futuro, não passará de uma coleção que já passou, mas que tem um preço abusivo. Dados estatísticos revelam o quanto é importante que você, homem no mundo, faça algo agora. Repense seus atos. Questione-se. O que queres deixar para o próximo, nos próximos tempos?

Não, não é isso. Não estou pedindo para que parem tudo; que fechem as cortinas do teatro chamado "sociedade evoluída". Apenas peço que não sejamos tão exagerados assim. Que não sejamos hiperbólicos, porque, ainda que sejamos detentores 4 bilhões de hectares de floresta, temos noção de que a cada ano perdemos uma fatia significativa desse total. Que deixemos a compulsão de lado. Que olhemos para os nossos recursos naturais, como os acionistas olham para a ações na bolsa; como os cantores cuidam da sua voz; como os jornalistas correm atrás da noticia. Que olhemos para os nossos recursos com o cuidado e brilho nos olhos. Que olhemos para eles e vejamos a tradução da vida. A verdade é que estou implorando por sua vida e do nosso próximo. Não seja medíocre. Admita que o mundo não vai bem (nosso planeta não está sadio). O mundo vive uma realidade autenticada; pisamos em calçadas onde a base não é nada mais que medo e desespero. As identidades são compartilhadas. O quadro sintomático não acomete apenas um grupinho; ele atinge-nos. Analisa os fatos. Filtra-os. Recorta-os. Mas se apresse. O trem tem hora marcada, e se chegares atrasado ficaras sem rumo. Não sejas covarde. Vamos depressa. Uma andorinha só não faz verão, mas muda bastante coisa. Quando não, faz o próximo, tomando a questão como exemplo, ser questionável.

Se questionar sobre vossas ações. Abra seus olhos. Acorda. Como você pensa? Dizia John Locke: Sempre considerei as ações dos homens como as melhores intérpretes dos seus pensamentos. Pois, tua ação dirá quem você é; de que lado está. Depois de tudo, espero tão somente, que seus pensamentos sejam de mudanças; que eles avancem em direção da subversão do monopólio que é o tom-homem. Faz-se, pois, extremamente necessário. Que seu pensamento seja de caráter humano.

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