Forró do Cais 2015: Faltou organização e planejamento

Por Zevaldo Sousa

É inegável que a crise abate todo o país. É notório que a crise aplaca o município de Maragogipe causando desemprego, enfraquecimento da economia local e queda na arrecadação municipal e isto não se discute. Todavia, podemos discutir meios para a promoção e o soerguimento dessa economia que está enfraquecida por causa das nossas escolhas e o São João pode sim, ser o tema central deste nosso debate.

Muitos acreditam na ideia difundida pelo poder público de que a queda na arrecadação influenciou na decisão da atual gestão da Prefeitura de Maragogipe em cancelar os festejos juninos e utilizam deste argumento para falar sobre a pobre e parca programação do Forró do Cais 2015.

Outros, acreditam que este argumento não deve ser usado, pois em gestões anteriores, a arrecadação do Estaleiro não existia, mas mesmo assim, a festa acontecia. Estou entre estes que acreditam que projetos, planejamentos e organização tem o poder para credenciar uma bela festa, mesmo sem grandes recursos para este fim e quando não planejamos e fazer tudo de última hora, com certa urgência nas licitações públicas, acabamos por cair na esfera dos superfaturamentos e das irregularidades.

Aliás, diga-se de passagem, em todas as notas que são propagadas na internet, principalmente, àquelas ligadas ao Tribunal de Contas dos Municípios e ao Ministério Público, preveem que todos os gestores devem privilegiar outros setores do município ao invés de se preocupar com grandes gastos em festas populares, assim como, todos sabemos que há meios para se angariar fundos para que estas grandes festas sejam contempladas sem a necessidade de se retirar grandes somas em dinheiro público dos cofres públicos.

O fato é que, para que uma gestão consiga administrar bem os recursos públicos, principalmente, em períodos festivos, há necessidade de uma boa equipe para que se possa conseguir recursos e meios para a sustentabilidade de qualquer festa. A exemplo de empresas privadas e editais governamentais. Transformando a festa em um incentivo para o desenvolvimento e o crescimento da economia e da cultura local. Um bom gestor, entende que a festa é mais um meio para promoção da cidade e dos seus munícipes. Qual o maragogipano que não sente vontade de convidar parentes e amigos para participar dos festejos que movimentam toda a cidade e a fazem transpirar de alegria?

Para além disso, aos poucos, estamos percebemos que ainda estamos perdemos o privilégio de contar com nossa musicalidade local por falta de prestígio perante o poder público que não promove sua inclusão nem tampouco valoriza a cultura local. E aqui não estou falando sobre os cifrões merecidos e reclamados por músicos neste período junino, mas tendo a sensibilidade para entender que valorização da cultura local é coisa deve ser aprendida na escola e que no nosso município, não é entendida como política pública, mas como mera coadjuvante neste quesito e consegue só adentrar as escolas com projetos estruturantes ligados à pessoas que entendem a cultura como parte da educação de um povo.

E o comércio? Ficou enfraquecido, mais uma vez com esta desorganização e falta de planejamento. Não estou aqui querendo encontrar culpados. Talvez, os funcionários da Cultura devam perceber este ponto quando cito a centralização causal digna de soberanos que prejudicou o trabalho destes agentes da cultura maragogipana durante anos e que continua a prejudicar. Tenho certeza de que os planejamentos culturais aconteceram, mas seus prazos foram dilacerados com a falta de planejamento administrativo e por causa disso, o comércio sentiu seu maior golpe. 

Debilitado por conta das demissões do Estaleiro e pela própria Prefeitura de Maragogipe, o comerciante local se vê enfraquecido com a falta de sensibilidade de uma gestão que, para além de começar uma obra em plena via central e comercial, ainda por cima, não consegue dar aos turistas uma razão para visitar esta terra, nem para aos comerciantes uma razão nem prazo para se organizarem para tamanha decepção.

Desestimulado, vários comerciantes lamentam esta postura da Prefeitura de Maragogipe que não consegue compreender que um simples festejo junino movimentou durante anos uma cidade, uma cultura, uma economia com a vendas de quitutes e licores, com a venda de foguetes e espadas, com a venda artesanal, charangas e muita música.

Tanto o maragogipano, como o comerciante e os turistas sentiram falta do clima junino. Aquele clima que dá o toque especial em qualquer festa.

Este clima não é encontrado facilmente, ele é precisa ser incentivado no cotidiano e na história de vida das pessoas e da comunidade. A cidade precisa respirá-lo para ganhar vida.

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