Fundação Pedro Calmon doa 80 títulos de autores baianos para Biblioteca Odilardo Uzeda Rodrigues


Distante de Salvador 155 km, a cidade de Maragogipe – Recôncavo baiano – recebeu na manhã deste sábado (27/08), o projeto Rota da Independência, organizado da Fundação Pedro Calmon / Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, em celebração ao 02 de Julho. Na Rota, a cidade recebeu a segunda “Aula Pública” ministrada pelo historiador Manoel Passos Pereira. A atividade ocorreu na Casa de Cultura Maragogipe, no centro da cidade, sendo assistida por cerca de 70 pessoas, dentre estudantes e moradores. Na mesa de abertura, além do palestrante, estavam presentes, o historiador Benedito Jorge e a diretora do Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação que coordena as Aulas Públicas, Jacira Primo, além de Enea Rangel, gerente de ensino de Maragogipe. 


Neste dia, a diretoria do Livro e da Leitura (DLL), também unidade da Fundação, doou 80 títulos de autores baianos para a biblioteca municipal Odilardo Uzeda Rodrigues. Antes da palestra, houve apresentação do grupo “Rouxinol de Poesia”, no qual crianças recitaram poesias de autores baianos e de renomados poetas do cenário nacional, intercaladas com músicas do universo popular. Além da Aula Pública, a cidade recebeu a Feira de Livros e Biblioteca Móveis, promovendo atividades culturais como comercialização livros de autores baianos com preços a partir de R$5 e atividades de estímulo à leitura.


Em sua palestra, Manoel Passos ressaltou que a luta iniciou-se após a Revolução do Porto ser deflagrada em 1820, e citou que a participação das vilas foi decisiva neste período. “A participação das vilas no processo de luta, quando Salvador encontrava-se sitiada pelos portugueses, foi de fundamental importância, enquanto as vilas do Recôncavo baiano se esquentavam na organização de batalhões patrióticos para enfrentar aqueles que dominavam Salvador. Todas as vilas participaram das lutas, como Santo Amaro, Cachoeira, Maragogipe, São Francisco do Conde, Nazaré e Jaguaripe, e algumas do sertão, como Caetité, por exemplo,”, frisou Passos. Durante a aula, Pereira esclareceu também quem foram Antônio Rebouças e Fernando Sá importantes personalidades centrais do local. “O maragojipano Antônio Rebouças foi um jurisconsulto e exerceu a função de secretário do governo provisório, que tinha como sede a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, enquanto que Fernando foi um historiador de Maragojipe, que interpretou e retratou este episódio com uma ótica regional ímpar”, finalizou Manoel.

Comemoração da Independência – O professor Benedito Jorge fez um panorama de como vem acontecendo a solenidade de 2 de Julho em Maragogipe. “Após a missa, há o hasteamento da bandeira, depois ocorre uma pequena passeata com as filarmônicas locais até a Praça 2 de Julho”. Conforme Jorge, este modelo deveria ser revisto. “No meu entendimento, didaticamente, isso não funciona para os estudantes, pois deveria haver uma parada estudantil, apresentações de trabalhos escolares, poesia, música e também pequenos brindes para estimular as crianças, ou seja, assim iria estimular o 2 de Julho, bem como estaríamos plantando sementes na cabeça dessas crianças”, sugeriu Benedito. 

O historiador Zevaldo Sousa, também presente na aula, avalia que, muitas vezes, a data passa despercebida na cidade. “Falta mais consideração com a cidade nos festejos do 2 de Julho, porque, no sentido simbólico, a cidade de Cachoeira é heroica, Santo Amaro é leal, Maragogipe é patriótica, ou seja, historicamente, significa que os festejos deveriam ser mais significativos”, disse Sousa.

A Rota, que iniciou em Cachoeira em 25 de junho, passou por São Félix no dia 26 e segue para Santo Amaro (28/06). Na próxima segunda (29/07), estará em São Francisco do Conde e será encerrada em Caetité (01/07).

Fonte: Fundação Pedro Calmon

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