Edil Pacheco lança seu sétimo álbum intitulado 'Mel da Bahia'


As 13 faixas celebram o estado através de seus grandes ícones, lugares característicos, religião e suas particularidades.


Por Monique Lobo (Correio da Bahia)

“Vir à Bahia e não ver Camafeu é perder o melhor da viagem”, disse Jorge Amado (1912-2001) certa vez. O cantor e compositor Edil Pacheco, 70 anos, amigo do poeta, amplificou essa afirmação para quem quiser ouvir em forma de samba na música Mel da Bahia. A canção dá nome ao seu sétimo disco, que tem lançamento hoje, às 19h, na Livraria Cultura, no Salvador Shopping.

O mestre de capoeira, que manteve um restaurante no Mercado Modelo, é apenas um dos ícones baianos que são homenageados na canção, feita em parceria com João Nogueira (1941- 2000). “Esse samba é de 85. João gravou e cantou na reinauguração do Mercado Modelo. Nele homenageamos vários nomes importantes da terra, o mel da Bahia mesmo, e por isso também é o nome do disco”, explica Edil.

Além de Camafeu de Oxóssi (1915-1994), ele celebra Batatinha (1924-1997), Mãe Menininha do Gantois (1894- 1986), Dorival Caymmi (1914- 2008) e o próprio Jorge Amado. Mas a Bahia não está só no seu mel. Tem o feitiço feminino em A Moça Morena Maria, o saudosismo do Recôncavo em Saudade a Vapor e a força do candomblé em Terreiro de Jesus e Na Paz do Congá.

“Essas músicas têm muito tempo. Existem umas que têm mais de 30 anos, tem música que foi feita na época em que meus filhos nem eram nascidos. A canção Meu Tesouro, que fiz com Roque Ferreira, tem mais de 37 anos”, recorda o sambista.

Companhia
As parcerias em suas composições também não deixam nada a desejar. Se João Nogueira e Roquei Ferreira já não fosse suficiente, tem ainda composições com João Bosco e o filho Francisco Bosco, Diogo Nogueira, Nelson Rufino, Paulo César Pinheiro, Wilson das Neves, Canário e Walmir Lima.

“Eu e João Bosco tínhamos prometido fazer um samba com Paulinho da Viola. Acabou que ele fez um com Paulinho e esse comigo, depois o filho dele complementou e fizemos Terreiro de Jesus. O samba A Moça Morena Maria foi o grande Wilson das Neves que me mandou a melodia e eu fiz a letra. Tem também Nelson Rufino, Paulinho Pinheiro, muita gente boa”, avalia.

O voo solo acontece em O Samba Pra Mim É Rei. “Essa é quase autobiográfica. Fala do meu envolvimento com o samba”, afirma.

Natural de Maragogipe, Edil viajou para a cidade maravilhosa para construir o disco. “Gravei praticamente tudo no Rio de Janeiro, só voz e algumas coisas de percussão fiz aqui. Saudade a Vapor foi gravada com todo o sotaque baiano, mas as outras todas praticamente foram gravadas lá”, conta.

A cidade que o abrigou nesta missão foi lembrada em Baticum de Primeira. “Mas sou baiano e baiano sempre puxa a sardinha. A Bahia é tudo pra mim”, revela.

Hoje, no lançamento do álbum – produzido através de edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia –, o músico bate um papo com o público para falar do disco e dos mais de 40 anos de estrada, e realiza um pocket show. A entrada é gratuita. “Vou brindar esses 70 anos de vida, essa história na música. Afinal, você não escolhe a música, é ela quem te escolhe”, finaliza.

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