Domingo da Festa monótono. Não podemos dizer não a Festa de Agosto.

Por Zevaldo Sousa


Entendo todos os anseios da população. Entendo que necessitamos investir cada vez mais em educação, em saúde, em esporte, em infraestrutura, mas não podemos deixar de lembrar que uma sociedade se constrói com alicerces bem firmes e o lazer e a cultura também fazem parte destas bases.

Hoje, vivenciamos um Domingo de Festa monótono. Domingo em que a festa apenas permanece nos nossos corações. Há tempos escrevo neste blog que precisamos rever nossos conceitos e sobre os festejos de São Bartolomeu. Há tempos que escuto comentários de secretários de cultura e de pessoas com boa reflexão que este modelo de festa implementado no início do milênio não condiz com a nossa realidade orçamentária e que necessita ser revisado.

O problema está no cerne do conceito de festa. Enquanto a grande maioria das pessoas acreditam piamente que festa só existe com grandes atrações, bandas famosas e grandes gastos de verba que poderia ser investida em cultura e educação; existe um pequeno número de pessoas que entende que festa é um momento especial de lazer em que a cultura de uma cidade é promovida ao seu extremo, em que os músicos e artistas locais tem a oportunidade de demonstrar a sua arte para o turista, em que a cultura, a história e o artesanato da cidade poderia estar sendo levado a sério para o mundo. 

Antes, a principal atração profana da Festa de São Bartolomeu era o parque, que hoje tomou conta da rua onde ficava as armações de fogos de planta, muito apreciada pela população e por este motivo, a rua ganhou apelido carinhoso de Rua do Fogo. As filarmônicas ditavam o ritmo no coreto, as fanfarras era atrações da noite na frente da Igreja de São Bartolomeu e o samba de roda fervilhava na praça. A charanga e a lavagem eram mais do que especial. 

A Festa de São Bartolomeu privilegiava o ritual religioso, as amizades, as pessoas iam para as ruas para com o intuito de comemorar e de conversar com os amigos, se fazia um grande bingo, e se elegia o tesoureiro da próxima festa e pelas confusões geradas acabou-se com a tradição. Muito normal quando a tradição gera transtornos. 

A Festa de São Bartolomeu era cultural, tinha samba de roda, tinha os folhetos do professor Ronaldo Souza, uma ótima lembrança para aqueles que amavam e já esperavam pela Festa. No dia da Procissão, a população da zona rural descia em peso para a festa do orago tanto para se divertir com a família quanto para revendo amigos.

Não estou aqui querendo reviver estes grandes marcos. Sei que existem momentos em que tradições devem ser mantidas, assim como também precisam ser modificadas. O que estou querendo alertar é que não havia a necessidade de grandes atrações, mas quando se tem planejamento e organização e entendemos o verdadeiro sentido da função da festa de São Bartolomeu que é secular, percebemos que ela é necessária para a sobrevivência da comunidade e de sua cultura.

A Festa é um marco que quebra a monotonia do cotidiano do maragogipano, ela promove o comércio, gera empregos, cria oportunidades de turismo e de renda, cria oportunidades culturais e de lazer, permite interação entre os membros da zona urbana e rural. São poucos os momentos que encontramos tantas oportunidades.

Como negar que a Festa de São Bartolomeu tem tanto poder? O poder de mobilizar uma cidade inteira, o poder de ser o centro das atenções culturais, festivas e religiosas nos municípios do seu entorno que reúnem caravanas para que nos conhecer.

Fico abismado quando vejo pessoas se manifestarem contra a festa. Não importa a religião. Um grande evento evangélico também atrai visitantes, gera renda e turismo. E quando o sincretismo toma conta da cultura aí fica muito mais bonito. 

Agora, fica a reflexão: O que precisamos fazer para mudar esta realidade e este modelo de festa aplicado no município?

Vários gestores concordam que este modelo de evento atual é oneroso e que necessitamos investir cada vez mais em educação, cultura, infraestrutura. O problema está quando não damos valor a nossa cultura e história e quando não percebemos o quanto nossa juventude está ociosa e ansiosa para demonstrar seu valor. Sem espaços culturais e sem oportunidades, o que se vê, são as drogas tomando conta da comunidade maragogipana, enquanto sua comunidade se entristece.

Não posso mentir. Fico entristecido com toda essa nova realidade que toma conta da nossa cidade e penso exaustivamente formas e modos de controlar esta situação que nunca acabará, pois como professor de História, sei e não posso ser hipócrita em dizer que não, que as drogas fazem parte da história da humanidade desde tempos imemoriais. Mas o combate à este câncer que corrói o seio familiar e destrói amizades precisa ser feito.

Mas voltando ao assunto e concluindo parte do meu pensamento que daria para escrever um livro, mas que não cabe neste momento e nesta simples blogagem: A Festa precisa ser repensada. Precisamos reavivar nossa cultura, nossa arte, nossa história. Precisamos conhecer as novas formas culturais que tomam conta da cidade, através desta nova juventude interligada com a rede mundial de computadores e que já tem muita história para contar; precisamos promover debates e fóruns de discussões acadêmicos na Casa da Cultura sobre a história e a cultura local; precisamos incentivar artistas locais e promover a sua arte; podemos promover o Turismo Religioso, Náutico, Cultural e Histórico; podemos, em parceria com outros municípios, promover a cultura de localidades em um festival de arte cultura do recôncavo neste mês de agosto; podemos até pensar em grandes atrações, Por quê não?

Mas não podemos dizer não a Festa de São Bartolomeu.

Me desculpem a todos. Mas é assim que penso e que acredito.

Por Zevaldo Sousa
Um dos manifestantes deste dia em favor da Festa de São Bartolomeu que recebeu o convite da professora Iraci e que abraçou a ideia sem medo de dizer o que pensa.

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