Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa acompanha caso ocorrido em Maragogipe


A Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia está acompanhando o caso envolvendo o Ilê Axé Ofá Odé, localizado em Maragogipe, a 130 km de Salvador. Com o falecimento do balorixá Luiz Pereira, mais conhecido como Pai Luiz da Muringanga, em julho deste ano, foi iniciado um processo de conflito pela propriedade do imóvel onde funcionavam as atividades do terreiro, considerado um dos mais antigos do município.

Uma audiência com a promotora de Justiça da comarca local, Neide Reimão Reis, foi realizada nesta quarta-feira (19), em Maragojipe. O encontro aconteceu após contatos e articulações da Rede, que acionou o Sistema de Justiça, através do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), um dos órgãos integrantes do colegiado. A questão envolve a família biológica e filhos de santo do líder religioso.

O Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, que também é vinculado à Rede, acompanha o caso desde o dia 12 deste mês, quando a denúncia foi registrada por religiosos ligados ao terreiro. Segundo os denunciantes, objetos sagrados foram danificados, comprometendo parte do patrimônio cultural e religioso. O templo é um dos primeiros da nação Ketu de Maragogipe, com 68 anos de atuação no resgate, proteção e transmissão dos ensinamentos ancestrais.

Na audiência no município estiveram presentes a coordenadora da Rede, Nairobi Aguiar, a advogada do Centro de Referência Nelson Mandela, Marinalva Lima, representantes das prefeituras de São Félix, Cachoeira e Salvador, da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), bem como adeptos do candomblé.

A Rede – É composta por instituições do poder público, universidades federais e estaduais, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e um conjunto de organizações da sociedade civil de Salvador e do interior. Seu objetivo é aumentar o grau de resolutividade dos casos de combate ao racismo e à intolerância religiosa, promover a igualdade racial e garantir os direitos da população negra, por meio da atuação integrada dos seus componentes. Entre os instrumentos balizadores dos trabalhos estão a Constituição Federal e o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, que prevê a proteção aos direitos dos povos de religião de matriz africana.

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