Senti falta dos alunos da rede municipal de ensino na Semana Estudantil 2015


Por Zevaldo Sousa

Foram seis dias de muita agitação. A Semana Estudantil era para terminar na sexta, dia 15, mas seguimos até este sábado com especial vontade de trazer para a juventude maragogipana um pouco da música, da cultura, do esporte e um pouco da experiência de cada palestrante especial que se deslocou de outras cidades para compartilhar conhecimento. São dezessete anos de histórias de uma Semana que foi pensada para o Estudante, com seus erros e acertos, mas que tem objetivo único. Refletir sobre a sociedade em que os nossos jovens estão inseridos e buscar meios para a promoção de oportunidades.

Nestes seis dias, muitos alunos da rede municipal de ensino estavam lá, na Fundação Vovó do Mangue, conversando com colegas e amigos, assistindo palestras e aos jogos, mas faltava uma coisa: Eles queriam demonstrar o que sabiam. Queriam poder cantar, dançar, jogar, ou seja, queriam muito mais do que simplesmente assistir - queriam efetivamente participar, queriam PODER.

Este sentimento abafado foi um sentimento triste de se ver e ouvir. Foi triste ouvir estudantes relatarem que gostariam de participar, mas a sua escola não se inscreveu. Foi triste ouvir professores relatarem que desejavam trazer seus alunos, mas a sua escola não se inscreveu. Fiquei a me perguntar: Por quê não se inscreveu? Certamente, não terei esta resposta. Mas fica a lição e a provocação.

Hoje, neste dia 16 de agosto, após um encerramento mais do que especial da Semana Estudantil 2015, com a palestra do secretário de Cultura do Estado da Bahia - Jorge Portugal -, e já com o ânimo equilibrado depois de uma semana agitada, percebo o quanto é difícil convencer pessoas adultas que devemos lançar um olhar mais atencioso as nossas crianças e aos nossos jovens. Percebo o quanto é difícil fazer lembrar a estes adultos o quanto nosso município está carente de pessoas comprometidas com a educação, com a cultura, com a juventude que está a cada dia que passa inserida cada vez mais dentro de um submundo do crime e da violência, sem perspectiva de vida e oportunidades.

É triste ver essa realidade e não citar um trecho da música de Caetano Veloso, citada por Jorge Portugal, nesta última palestra da Semana Estudantil: "É proibido, proibir!". Por mais que, como pais e mestres, tenhamos a certeza de que precisamos dizer "NÃO" em certos momentos, mas também temos a consciência de que precisamos saber dizer "SIM" para que portas sejam abertas e um mundo diferente possa penetrar na realidade daqueles jovens com objetivo de gerar oportunidades.

Não posso me abster de falar sobre este assunto tão delicado, pois acredito que a juventude maragogipana necessita de atenção. Se cada professor fizesse realmente a sua parte, mínima que seja, contribuindo da melhor forma possível, ampliando horizontes, utilizando a história para transformar erros em acertos, nada disso aconteceria, ou se acontecesse, serviria de exemplo para evitar novos erros.

Pensar a nossa realidade atual é sem sombra de dúvida pensar na juventude; Que deseja coisas simples, e que como diz Raul Seixas, em mais uma citação de Jorge Portugal: "Eu tenho uma porção / de coisas grandes pra conquistar / e eu não posso ficar aí parado!".

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