Fórum sobre economia discute crise e perspectivas para o futuro da Bahia

Um evento que discutiu o presente e o futuro da Bahia. Assim foi o II Fórum Bahia Econômica, realizado nesta sexta-feira (16), no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador, com a participação de empresários, lideranças do setor público estadual e municipal e representantes da sociedade civil. Para falar sobre economia sob o olhar da indústria, comércio e infraestrutura, foram convidados o senador Walter Pinheiro, os secretários estaduais Bruno Dauster (Casa Civil) e Marcus Cavalcanti (Infraestrutura), o diretor de Relações Institucionais da Braskem, Marcelo Lyra, e o presidente da Enseada Indústria Naval, Fernando Barbosa, que apresentou a situação de crise vivida pela indústria naval baiana.

O governador da Bahia em exercício, João Leão, esteve presente na mesa de abertura e falou sobre a importância da descentralização de riquezas no Estado, hoje concentradas na Região Metropolitana de Salvador, Feira de Santana e Litoral Norte. “Essas três regiões possuem 67% da riqueza baiana. Isso quer dizer que as outras áreas possuem apenas 13%. Precisamos levar o desenvolvimento para as demais áreas do interior, por isso temos a intenção de elaborar uma Política de Desenvolvimento dos Territórios Baianos e viabilizar a ponte Salvador-Itaparica. Essa ponte beneficiará mais de 300 cidades, inclusive as da região de Jaguaripe que possui apenas 0,4% da receita do Estado”, garantiu Leão.

Articulador do Fórum, o economista e diretor do portal Bahia Econômica, Armando Avena, revelou que o evento foi idealizado para buscar caminhos para o desenvolvimento estadual. “A Bahia tem um empresariado empreendedor, mas os investimentos só podem ser feitos desde que o Governo e a política econômica permitam. A Bahia e as lideranças políticas precisam se unir, pois a indústria baiana está perdendo a competitividade e hoje representa apenas 8% do PIB estadual”, alertou o economista. Marcus Cavalcanti, secretário de Infraestrutura do Estado, foi por uma lógica parecida ao afirmar que “o Governo vem dotando a Bahia da infraestrutura necessária para a implantação dos seus projetos estruturantes, mas nem sempre atende em tempo necessário o que os empresários precisam para impulsionar seus projetos”.


Indústria naval em crise
Há um ano sem receber do cliente e afetada pela crise de liquidez que abateu a indústria naval brasileira, a Enseada foi obrigada a paralisar obras, interromper atividade industrial e desmobilizar quase 10 mil pessoas. No pico da fase de implantação foram gerados 7.200 empregos no estaleiro. Hoje, menos de 300 integrantes trabalham na preservação de equipamentos. Se a pleno vapor estivesse, o empreendimento teria, somente na Bahia, 5.398 pessoas diretamente empregadas.“O que vemos hoje é um vazio de liderança e uma multiplicidade de intervenientes que não conseguem resolver a situação da Petrobras e da Sete Brasil, acarretando na paralisação de diversos estaleiros. Percebemos que todos sabem o que é preciso fazer, mas é fundamental que seja feito a tempo de preservar o que ainda resta da indústria naval brasileira. Se hoje a Enseada ainda está sobrevivendo devemos agradecer aos nossos acionistasOdebrechte a Kawasaki”, revelou Fernando Barbosa, presidente da Enseada.

O anúncio da descoberta do pré-sal, em 2007, fez o Governo Federal instituir uma política industrial para explorar a potencialidade dessa riqueza. Para tanto, foram criados estatutos especiais, intensificada a política de conteúdo local e colocado um pacote de encomendas de alto valor agregado (sondas de perfuração). A Bahia saiu vitoriosa de uma intensa disputa entre os estados brasileiros e grupos empresariais foram mobilizados pelo Governo Federal com o intuito de fabricar o pacote de 29 navios-sonda. Segundo Fernando, até novembro de 2014 a Enseadavinha performando a implantação do seu estaleiro e construindo sondas no estado da arte da construção naval mundial. “Acumulamos 1,7 milhão de homem/hora trabalhadas, 2,6 mil toneladas de aço processadas e 75 blocos construídos na Bahia. Hoje vemos que todos os compromissos e expectativas firmados com o empresariado foram frustrados e nossa receita está abalada em R$ 1,8 bilhão”, pontuou Barbosa.

Na parte da manhã, o II Fórum Bahia Econômica foi encerrado com palestra do economista Raul Velloso, que falou sobre o que ele chamou de “sistema de proteção social”, que, segundo ele, não cabe no PIB brasileiro e vem causando sérios impactos na economia brasileira, que atualmente sofre uma “crise estrutural com agraves conjunturais”.

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