O quê nossas crianças e jovens precisam de verdade?

Essa é uma pergunta que me deixa tomado de curiosidade, pois sou professor e pai, convivo com centenas de crianças e jovens todos os dias e me sinto desafiado diariamente e tentar responder esta questão, que parece simples, mas não é.

Hoje, resolvi tornar publico a minha reflexão sobre "O quê nossas crianças e jovens precisam de verdade?"

De fato, este debate é muito amplo e sensível, como nossas crianças e jovens são: sensíveis. Mudam de opinião e atitude tão bruscamente ou tomam posturas que assustam. Riem, choram, brigam, se tornam dignas de carinho e atenção e, cabe a nós - adultos responsáveis -, aprender a admirá-las como são e indicar caminhos para que possam adquirir experiências positivas de vida, mesmo em momentos difíceis. Essa é a parte mais difícil de todas, pois é neste momento que voltamos a ser crianças e lembramos como nossos pais agiram ou deixaram de agir, para tomar decisões positivas, em cada caso. Esta é a parte do novo aprendizado. É a parte em que os verdadeiros pais e mães, em que os verdadeiros responsáveis diretos por aqueles pequenos, fazem de tudo, movem montanhas para que eles se tornem pessoas capazes de acreditar que há esperança em um futuro melhor.

Para muitos, a questão pode ser resumida em simples direitos e deveres. Para estes, a simples citação do Estatuto da Criança e do Adolescente já basta para responder a esta questão.

Para outros, como eu, apesar de entender a completude da lei, essa questão não pode ser apenas entendida desta forma, pois acreditamos que muito ainda precisa ser mudado neste nosso país para que realmente a lei se torne efetiva.

Ontem, em uma roda de amigos, estávamos discutindo as grandes influências negativas que a mídia e a nossa sociedade ofertam com muita rapidez para nossas crianças e jovens. E aí, questiono-me: Será que a lei está sendo respeitada neste momento? Quais são os referenciais e as referências que nossas crianças e jovens estão retirando deste novo mundo supertecnológico e globalizado em que tudo é parece ser "liberado" e transparece "não existir limites" entre as pessoas?

Este debate é profundo e se alongarmos este reflexão, acabaremos escrevendo um livro e este não é o objetivo desta postagem. Mas cabe aqui, pontuar: Nossas crianças precisam entender quais são as suas verdadeiras referências: "Os educadores", e não importam se eles sejam professores, pais e mães, médicos, advogados, engenheiros, policiais, religiosos, motoristas, o que importa é que sejam educadores

"Um verdadeiro educador é aquele que se importa com outro, 
principalmente, com as novas gerações.
É aquele que está constantemente aprendendo e 
compartilha este conhecimento com todas as pessoas."
(Zevaldo Sousa)

Portanto, sabemos que "é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária." (Artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente), mas o que vemos na realidade é a falta de respeito e de efetivação destes direitos que em muitas regiões do nosso imenso pais, sequer saem do papel.

Sabemos que nenhuma criança ou adolescente deve ser "objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais." (Artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente), mas o que vemos na nossa atual realidade é justamente o contrário, e em muitos casos, acabam por servir de exemplos para outros casos.

Sendo assim, finalizo respondendo a pergunta: "O quê nossas crianças e jovens precisam de verdade?"

  • Precisam ser respeitadas: para aprender que primeiro devemos respeitar para depois exigir respeito.
  • Precisam viver momento felizes, gostosos e marcantes: para que se sintam sensibilizadas e passem a acreditar nas pessoas e no mundo em que vive.
  • Precisam de bons exemplos: E cabe a você, caro leitor, entender que precisamos ser educadores - humildes educadores.
Todo dia é dia das crianças, é dia dos jovens, dos pais, das mães, dos avós, é dia da família. Se você já percebeu isso, comece a agir em prol de um futuro melhor e de qualidade para outras crianças. Comece o processo de conscientização de outros responsáveis e lembre sempre que nunca devemos cansar de agir, pois precisamos ser exemplos: bons exemplos.

Este debate não se esgota aqui. Ainda tenho, ou melhor, temos muito a aprender.

Comentários