Ondina reúne tecnologia de ponta e parceria entre Brasil e Japão


O processo de construção do primeiro navio da Enseada Indústria Naval, o Ondina, foi iniciado com o corte de chapa do casco, em novembro de 2013, no estaleiro da Kawasaki (acionista e parceira tecnológica da Enseada), no Japão. Após 2 anos de trabalho, o casco está na fase final do processo de construção, respeitando a política de conteúdo local. Nesse período, 330 pessoas, entre brasileiros e japoneses, vêm dando forma ao navio. A empresa possui com a Kawasaki um programa de transferência de tecnologia que, dentre outras peculiaridades, capacita integrantes brasileiros no estaleiro japonês.

O top side do navio (parte que fica em cima do casco) vinha sendo montado no estaleiro da Enseada na Bahia e, com a suspensão das atividades industriais por conta da crise na indústria naval, encontra-se hoje com 65% de conclusão. A Enseada tem um estaleiro de quinta geração, um dos mais modernos do mundo, e consegue fabricar equipamentos de alto valor agregado, estado da arte da construção naval mundial.

De acordo com Fabio Cunha, gerente de Projeto do Ondina, o navio-sonda possui grandes inovações tecnológicas. “Estamos construindo um compact drilling, novo conceito de projeto para navio-sonda. Muitos equipamentos de perfuração estão instalados no casco, o que permite uma melhor utilização dos espaços e que o navio possua uma dimensão menor, com ganho no deslocamento”, explicou o gerente que destaca também como inovação o posicionamento dinâmico nível 3, trabalhando com barramento aberto e/ou fechado e BOP (Blow Out Preventer) com capacidade de corte de tubulação com maiores espessuras para atender aos requisitos especiais das perfurações do pré-sal. O BOP faz parte do sistema de segurança de controle do poço. É ele o responsável por controlar as pressões e vazões de entrada na cabeça do poço e age como uma grande válvula de retenção que bloqueia a entrada e saída de derivados (lama, cimento, gases).

O Ondina foi lançado ao mar pela primeira vez em agosto deste ano e chegará ao Brasil em até 45 dias após deixar o Japão (ver ao lado infográfico sobre as etapas de construção do navio). Na época, o vice-presidente de Operações da Enseada comemorou a conquista junto aos integrantes. “Este momento somente foi possível graças a vontade de todos para vencer obstáculos e grandes desafios. Para nossos parceiros e sócios da Kawasaki talvez seja mais uma etapa cumprida na sua longa e bem-sucedida história centenária. Para nós, da Enseada, representa uma grande alegria e esperança. Alegria por poder concretizar uma etapa muito importante no objetivo central de satisfazer as expectativas do nosso cliente. Esperança, porque mesmo com os desafios adicionais que o momento atual tem submetido a nossa empresa e a todos nós, pessoal e profissionalmente, temos tido força e energia para continuarmos firmes e determinados na construção do nosso futuro e da empresa que acreditamos”, enfatizou Guaragna.

O que é um navio-sonda?

É um navio usado para perfuração de poços, com sistema de posicionamento dinâmico DP3, que mantém a posição da embarcação de forma automática. Para garantir esse posicionamento, são usados propulsores, que anulam os efeitos dos ventos e das ondas. Tem como vantagem maior autonomia para perfurar em grandes distâncias da costa, operando em águas ultraprofundas, alcançando 3.000 metros de lâmina d’água e até 10.000 metros de perfuração. São navios, portanto, projetados e construídos com os sistemas de perfuração integrados aos seus cascos e sistemas navais. As manobras de perfuração são realizadas através de uma abertura no centro do navio, que atravessa o casco.

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