Tenente Suzart explica áudio, “só quem pode julgar, analisar o porquê falei aquilo é quem está na linha de frente”

O áudio que o Tenente Valdomiro Suzart, comandante da 27ª CIPM de Cruz das Almas gravou e compartilhou no Whatsapp, teve uma repercussão que dividiu a opinião de várias pessoas. Depois de muitos comentários negativos e positivos, o Tenente resolveu esclarecer a verdadeira intenção na sua fala. 

Em entrevista ao programa Levante a Voz na Rádio Andaiá FM, na manhã desta quinta-feira (14), o Tenente afirmou que não está arrependido do que falou, pois ninguém sabe o que o policial passa. “Ninguém está no lugar da gente, de nós policiais. Só quem pode julgar, analisar o porquê falei aquilo é quem está na linha de frente”, disse. 

Ele explicou que passou o ano passado em mais de vinte combates em diversas cidades, no qual recebeu e deu tiros. “Em uma dessas cidades ficamos ilhados, eu tenente Dalton, subtenente Mascarenhas e subtenente Neto onde ficamos sem munição, precisando pedir socorro aonde nesse confronto a gente não esperava se bater com o número de marginais que eu me bati, numa determinada cidade e em determinada favela. Quando pedimos socorro, até que chegue a gente usa a própria casa dos meliantes para ficar protegidos”, relatou. 

Após todos esses acontecimentos em 2015, neste ano continuam os combates e o policial corre grandes riscos de vida. “A sociedade não sabe o que passamos durante as noites e dias invadindo favelas, manguezais, caatingas, bairros periféricos onde ao tráfico tá dominando e a população está refém. Estou estressado com isso, nós não estamos aguentando. Não posso sair sem a certeza que vou voltar. Eu não escolhi a polícia, a polícia que me escolheu, Deus quis que eu fosse PM. Quando soltei o áudio, não me arrependo, foi o meu pensamento e ninguém pode punir. Todos temos essa liberdade de expressar”, frisou. 

O Comandante explicou que o bandido atira para derrubar o policial e ninguém se importa com isso, completando que a importância maior é quando um bandido morre. “Quando um policial morre é o estado que está morrendo, é a sociedade que está morrendo, mas a sociedade não percebe isso e não chora, agora morre um bandido que está envolvido com o tráfico e a sociedade fecha a rua, queima pneu, impede o trânsito, vai em confronto com a polícia. 

Ninguém vai visitar a viúva, seus filhos, ninguém da comissão de direito humanos vai lá saber o que é que pode ser feito para agilizar a atenção o mais rápido possível para que aquela família não venha passar fome, ai fica a gente depositando 30, 50, 60 reais para a família do policial”, pontuou. 

O mesmo garante que não incentivou ninguém a matar, apenas expressou sua opinião com base em sua experiência de policial e diante do perigo que está em todo lugar, como as facções criminosas em Nazaré das Farinhas, Valença, Maragogipe, Salvador. “Eu quando estou em combate tenho um segundo para decidir se atiro ou não num cara que esta me dando tiro e um juiz ou promotor tem anos para analisar se aquele tiro que dei em um segundo que tive para pensar se foi certo ou errado. 

Eu tenho 52 anos de idade, cabelos brancos, experiência de muitos anos, tá três ou quatro indivíduos armados com metralhadoras atirando e eu jogando flores nele? Vou esperar ele primeiro me atirar para depois eu agir? E se o tiro pegar em minha testa, pra onde vou atirar se estou morto?”, questionou.

Jéssica Oliveira/Blog do Valente

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