Bloco das Almas: A manifestação que resiste à crise cultural

Por Zevaldo Sousa


Pare! A vela está apagada, mas nossas Almas resistem! Nossa cultura resiste. Nosso Samba de Roda resiste. Nossa arte e nossa poesia resiste. Nossa literatura e musicalidade resiste. Somos guerreiros de braços fortes e invencíveis. Podemos até perder algumas batalhas, mas não perderemos a guerra. Um debate cultural é necessário na Cidade da Cultura. Parabéns aos fantasmas da noite! Maragogipanos que insistem em dizer. Nossa cultura não vai morrer! 


O Carnaval Imaterial do Estado da Bahia deste ano de 2016 está merecendo especial atenção, pois ele consegue chegar ao ápice daquele modelo que já prevíamos estar fadado ao fracasso. Sua midiatização e turistificação sem modernização do setor de serviços (valorização dos artistas locais, informação ao turista, conhecimento da história e da cultura maragogipana, modernização dos serviços de hotelaria, setor alimentício e de lazer, além do setor de mobilidade urbana e reforma de estradas) acabam por afastar, inclusive, o próprio maragogipano. A cidade é carente de serviços que atendam as necessidades dos visitantes e não existe nenhuma política de incentivo a inovação e a criatividade no comércio local.


Quanto às Almas, manifestação que acumula 60 anos de pura história mantém-se firme apesar de todo impacto cultural. Nascida de uma brincadeira dos antigos funcionários da antiga fábrica Suerdieck, como relata o professor Benedito Jorge Carneiro de Carvalho. O Bloco das Almas merecem destaque e ontem, a partir da meia noite do dia 06 de fevereiro, dois blocos passearam pelas ruas da cidade. Antes, por volta das 08 horas da noite, do dia 05 de fevereiro, um bloco infantil passeou pela Praça 'assustando' as pessoas que estavam no local. 


A vida é assim. Cheia de altos e baixos. Tem ano que tudo está bem organizado e divulgado, atraindo público e criando um clima festivo na população, tem ano que a festa vem e vai e ainda ficamos a procurá-la. Esperamos que não seja desta vez.

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