Prefeitura corta grupos de samba de roda da programação do Carnaval de Maragogipe

Já faz algum tempo que a Prefeitura de Maragogipe não corta os grupos de Samba de Roda do carnaval maragogipano. A última vez, aconteceu nos três últimos anos do Governo do ex-gestor Silvio José Santana Santos (Confira a Programação 2010, 2011 e 2012 - onde prevaleceram as marchinhas, o pagode, o samba reggae e o axé, em 2009, grupos de samba de roda do município estavam bem representados). Os três primeiros anos do Governo da atual prefeita Vera da Saúde (Confira a Programação 2013, 2014 e 2015) variados grupos de Samba de Roda fizeram a festa dos amantes do ritmo. Vale dizer que Samba e Carnaval tem tudo haver. Tanto na Bahia, quanto no Rio de Janeiro. Em 2016, os grupos de Samba de Roda foram cortados da programação.

Na Bahia, em especial, durante muito e muito tempo, o Samba de Roda foi e ainda é o ritmo que encanta a população e os visitantes, além de ser uma manifestação cultural Patrimônio da Humanidade e ainda vale lembrar que ninguém valoriza o que não se conhece. Vale ressaltar que esse ritmo foi praticamente ignorado dos estudos do IPAC com apenas uma citação:
"O Carnaval de Maragojipe se destaca pela peculiaridade do uso de máscaras, alegorias e bandas de sopro. As músicas dos carnavais antigos são executadas no palco principal, grupos de samba se apresentam e, o mais importante, o sentimento que todo maragojipano tem quando se refere ao carnaval. Para eles, trata-se de uma tradição que deve permanecer na sua essência, espontânea, singular." (Pág. 42, no livro do Carnaval de Maragogipe - IPAC)
Não obstante, os estudos do IPAC deram destaque apenas às marchinhas carnavalescas que encantaram todo o Brasil e o Mundo. A crítica que sempre fiz foi a superficialidade do documento que ainda necessita de muitos estudos para abranger o iceberg cultural que existe na nossa festa carnavalesca. Aliás, vale ressaltar que as marchinhas carnavalescas maragogipanas continuam sendo desvalorizadas, pois do que adianta realizar um Concurso de Marchinhas se não existe a possibilidade de escutá-las ao longo da história? Essas marchinhas maragogipanas, praticamente morrem logo após aquele momento do concurso. Triste realidade.

Mas voltando ao assunto Samba de Roda, é preciso ressaltar a sua importância, pois enquanto alguns grupos elitizados curtiam as famosas marchinhas carnavalescas nos salões dos clubes, a cultura popular do samba de roda fervia nos arrabaldes da cidade, nos distritos e cercanias. Aquela instrumentália toda que, ao ser unida à musicalidade europeia das filarmônicas, num sincretismo fenomenal, deu origem a um ritmo diferenciado promovido atualmente pela belíssima charanga carnavalesca maragogipana. Sem o Samba de Roda e suas diferenciadas marcas e ritmos africanizados nossa cultura carnavalesca não seria tão ativa e diversificada. Digna de ser imaterializada.

O nosso carnaval tem múltiplas facetas. Dentre elas, a nossa belíssima cultura musical popular que precisa ser respeitada em seu máximo esplendor. Se o Samba de Roda é imaterializado no âmbito mundial, devemos valorizá-lo.

Saliento a necessidade de repensarmos cada vez mais a diversidade do Carnaval de Maragogipe, não podemos fechar os olhos para a nossa tradição, cultura e história. Um compromisso precisa ser firmado entre a população, os grupos culturais e o poder público no Plano Municipal de Cultura. Neste plano, precisamos definir e delimitar quais espaços culturais as nossas manifestações devem ser promovidas, para evitar que alimentemos sonhos tão logo enterrados em desilusões. Para permitir que a Cultura local seja promovida em toda sua essência.

O debate é sadio e deve ser promovido por todos. Mas não posso deixar de finalizar este texto, sem exigir, e como cidadão, afirmo que desejamos uma verdadeira participação popular e não participações falaciosas que representam apenas meros números nos esquemas do governo.

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