Quando eu crescer quero ser professor (Por Cidineia Barbosa)

Por Cidineia Barbosa

A primeira fase do saber é amar os nossos professores. (Erasmo de Roterdã)

Lembro que quando criança assim como tantas outras sentimos na pele as limitações sociais impostas pelo poder governamental para com a população carente. Nossos pais que tinham pouco conhecimento no processo de leitura e escrita, cansados por cumprir uma jornada de trabalho braçal que extrapolavam a limitação diária de acordo a Lei Trabalhista, dispunham dos seus poucos recursos financeiros para suprir nossas necessidades educacionais. Cuja ação lhes custavam muito caro! Pois o governo disponibilizava apenas o espaço, os mobiliários e os PROFESSORES, porém não contribuía para a inserção da criança na escola no que se refere a disponibilização de material pedagógico, fardamento, lanche e reforço escolar, que naquela época era de suma importância, já que não tínhamos o acesso a livros com tanta facilidade.

Por inúmeras vezes reutilizamos uniformes e livros usados de parentes e amigos, pois as condições não davam para comprar nem mesmo um pão para tomar café. Sem contar que o nosso lanche era pão seco, biscoito seco ou uma fruta que levávamos de casa. E quando algum aluno tinha um desses lanches era uma festa e chegava a dividir com outros colegas ainda mais carentes.

Apesar de todas as dificuldades tínhamos sonhos, perspectivas de vida. E ao observar nossos PROFESSORES chegarem à sala para nos ensinar, enxergávamos neles uma imagem de respeito e valorização nas diversas instâncias sociais.

E nós como bons observadores dizíamos constantemente: “QUANDO EU CRESCER QUERO SER PROFESSOR!”

Até nossos pais também tinham essa percepção e instigávamos a nos formar PROFESSOR, pois esta profissão era bastante cogitada, todos queriam ser PROFESSOR. Até para casar os PROFESSORES tinham seus méritos e reconhecimentos pelas famílias.

Atualmente o contexto mudou! E mudou de maneira radical!

Os PROFESSORES que antes eram respeitados atualmente são vistos como um mero serviçal, embora que este profissional acesse os conhecimentos superiores (Faculdades), no entanto não são valorizados como realmente deveriam ser.

Todos sabem que o PROFESSOR é o profissional imprescindível para a formação do indivíduo, e que contribui pedagogicamente para que este indivíduo se torne médico, advogado, engenheiro, dentre outras profissões importantes. Todavia embora que a esfera governamental tenha esses conhecimentos em relação a nossa atuação e relevância no campo formativo da sociedade, tentam de todas as formas nos inibir.

Existe um fator que me deixa intrigada é que na Data Comemorativa (15 de Outubro – Dia do Professor), as mídias governamentais fazem suas homenagens ao PROFESSOR.

Que lindo!! Que emocionante!! Adoro homenagem... Entretanto esqueceram que PROFESSOR tem VIDA e VIDAS.

VIDA a própria, a qual necessita constantemente realizar a sua manutenção psicossocial, e VIDAS por que ele necessita ser motivado para cuidar das nossas crianças e motivá-las a exercer esta profissão. Que numa previsão não muito distante, e se a esfera governamental não criar medidas que amenize esta problemática, a profissão de PROFESSOR será escassa, fator que dará margens para as máquinas “suprirem” a falta deste profissional.

Diante desta premissa e como sugestão, faz-se necessário que as instâncias governamentais revejam as suas ações procurando criar mecanismo que venham valorizar o PROFESSOR, além promover no educando as mesmas perspectivas que tínhamos quando criança: “QUANDO EU CRESCER QUERO SER PROFESSOR”!

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