Dados sobre o crescimento da violência em Maragogipe e na Bahia assustam. O quê fazer?

Por Zevaldo Sousa

O Atlas da Violência 2016 divulgado no dia 22 de março, demonstra o quanto nós necessitamos estar atentos a este tema tão complexo. Quando falamos em segurança pública, não estamos falando apenas em policiais militares e civis atuando nas ruas ou na investigação, mas precisamos ter o entendimento que a humanidade está doente (doente por violência) e neste caso, a segurança pública se atrela a questões de saúde pública. Assim como se atrela a questões de educação, esporte e cultura quando percebemos que precisamos ocupar a nossa juventude com atividades sadias e conhecimento para livrar, principalmente, a população jovem e negra desta zona de risco. Para além disso, em muitos casos a questão da segurança pública também perpassa pela assistência social, infraestrutura, empregabilidade. Eis um problema complexo que não é simples de resolver, mas que precisa ser enfrentado com urgência no município de Maragogipe e na Bahia.

O Atlas da Violência revela dados assustadores que já sentimos no nosso cotidiano, principalmente, nos bairros periféricos da cidade e na zona rural. Mas é preciso salientar que o sentimento de medo e insegurança se encontra em toda parte. Como exemplo, podemos citar os vários assaltos e os tiros na praça Ermezindo Mendes que ocorreram neste Sábado de Aleluia (28 de março). Assustada, a população se encarcera e a brincadeira das crianças acaba. Uma praça divertida se transforma em uma praça de terror em apenas alguns segundos.


Eis que desde 2010 a violência chegou no município de Maragogipe com todo o gás e a cada ano, por falta de políticas públicas e atuação do Estado continua a crescer, mas vale lembrar que o Atlas da Violência 2016 revela que este é um tema que preocupa toda a Bahia (Ver mapa acima). No Ranking das 20 cidades com maior aumento na taxa de homicídios, oito municípios são baianos e três lideram o ranking: Senhor do Bonfim, Serrinha, Santo Antonio de Jesus, Euclides da Cunha, Valença, Feira de Santana, Barra e Jeremoabo.

O município de Maragogipe ainda não apareceu nesta lista, e torcemos que continue assim, mas o aumento da criminalidade no município é alarmante e preocupa a todos.

Todavia, se analisarmos o Mapa da Violência 2015, encontramos dados do município de Maragogipe que revelam crescimento significativo da violência. Sem contabilizar dados atualizados - Somente dados entre 2010 e 2012. Os números assustam quando questionamos os dados com a nossa realidade. Temos o mínimo conhecimento de que o aumento da violência teve início nestes anos em Maragogipe, mas a proporção e o aumento significativo da violência que tomou após este período retratado pelo Mapa da Violência (anos 2013 a 2015) é incomparável.

O quadro atual da violência no município de Maragogipe revela que há urgente necessidade de políticas públicas para a juventude, pois esta camada da população está altamente próxima à criminalidade, sem perspectiva de vida e de futuro, ociosa e assediada por traficantes, boa parte da população jovem mergulha de corpo e alma na prostituição, no tráfico de drogas e na criminalidade. De 2013 a 2016, dezenas de jovens, em sua maioria negros e moradores das zonas periféricas morreram por causa de uma guerra entre facções em Maragogipe que já foi tema de muitas matérias jornalísticas da Bahia e do Brasil e nós, maragogipanos, o que sentimos ao ver tamanha destruição?

No Mapa da Violência 2015 encontramos os seguintes dados:


Em 2012, Maragogipe ocupava a 891º posição no Ranking Nacional de Homicídios divulgado pelo Mapa da Violência 2015. Valendo lembrar que o ranking é composto por 5565 municípios brasileiros. Valendo ressaltar o número baixo de jovens assassinados nestes anos, como demonstra tabela abaixo:




Já em 2013, Maragogipe ocupava a 868º posição no Ranking Nacional de Homicídios de Mulheres divulgado pelo Mapa da Violência 2015. Valendo lembrar que o ranking é composto por 5565 municípios brasileiros.



O que precisamos fazer para amenizar esta situação?
Sabemos que o enfrentar todos estes problemas relatados é um caso sério e complexo. Mas é preciso atitude. Devido o agravamento do problema, o município de Maragogipe necessita hoje de uma equipe especial, e com isso, acreditamos na necessidade da criação de uma Secretaria de Segurança Pública Secretaria Municipal visando aglutinar a Defesa Civil e a Guarda Municipal passando a coordenar políticas públicas de segurança no âmbito municipal, de forma cooperativa e colaborativa com o Estado, assim como também poderia atuar no financiamento de estudos e no desenvolvimento de projetos que visassem a melhoria da segurança pública, bem como na operacionalização de políticas preventivas voltadas à diminuição da criminalidade, uma vez que a política repressiva é de desempenho exclusivo da polícia militar. (Ver mais no Blog O Povo)

Outras políticas e projetos sociais também necessitam ser colocados em prática. O que não podemos é ficar de braços cruzados esperando o dia em que algum familiar seja atingido e é perceptível que a atuação da gestão pública municipal aguarda atitudes e projetos estaduais e federais para atuar com força na implantação da lei e da ordem no município de Maragogipe.

Ações, Maragogipe precisa de ações efetivas. Se estudarmos e debruçarmos sobre o tema, teremos exemplos que têm dado em diversos municípios do Brasil e do Mundo. Há necessidade de pesquisa e implantação de ações de acordo com a nossa realidade. Precisamos virar este jogo.

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