Odebrecht decide colaborar de forma “definitiva” com investigação da Lava Jato


André Richter - Repórter da Agência Brasil

A empreiteira Odebrecht, investigada na Operação Lava Jato, informou hoje (22) que decidiu colaborar de forma “definitiva” com a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), que cuida das investigações. Os executivos da empresa deverão fazer acordos de delação premiada.

Em comunicado chamado “Compromisso com o Brasil”, divulgado pela empresa diante do cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão da 26ª fase da Lava Jato, deflagrada hoje, a Odebrecht diz que a decisão foi tomada após avaliações e reflexões de acionistas e dos executivos.

De acordo com os procuradores do Ministério Público Federal, a empreiteira tinha um departamento responsável pelo pagamento de propina. A Polícia Federal também investiga pagamento de propina na construção Arena Corinthians, conhecida como Itaquerão, em São Paulo.

Apesar das acusações de pagamento de propina, a empresa declarou que “não tem responsabilidade dominante” sobre a investigação, que, segundo a empreiteira, “revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”.

O principal executivo da empreiteira, Marcelo Odebrecht, está preso desde junho do ano passado em Curitiba. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal à Justiça, o empresário está envolvido diretamente no esquema de pagamento de propina a ex-dirigentes da Petrobras e atuava orientando as atividades dos demais acusados ligados à empreiteira

Edição: Luana Lourenço

Leia a íntegra da nota:
As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato.
A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União.
Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor.
Na mesma direção, seguimos aperfeiçoando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governança; estamos em processo avançado de adesão ao Pacto Global, da ONU, que visa mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores reconhecidos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção; estabelecemos metas de conformidade para que nossos negócios se enquadrarem como Empresa Pró-Ética (da CGU), iniciativa que incentiva as empresas a implantarem medidas de prevenção e combate à corrupção e outros tipos de fraudes. Vamos, também, adotar novas práticas de relacionamento com a esfera pública.
Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil.
Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos. Assim, poderemos preservar os empregos diretos e indiretos que geramos e prosseguir no papel de agente econômico relevante, de forma responsável e sustentável.
Em respeito aos nossos mais de 130 mil integrantes, alguns deles tantas vezes injustamente retratados, às suas famílias, aos nossos clientes, às comunidades em que atuamos, aos nossos parceiros e à sociedade em geral, manifestamos nosso compromisso com o país. São 72 anos de história e sabemos que temos que avançar por meio de ações práticas, do diálogo e da transparência.
Nosso compromisso é o de evoluir com o Brasil e para o Brasil.

Lava Jato: propinas continuaram mesmo com presidente da Odebrecht na prisão

Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
A força-tarefa responsável pelas investigações da Operação Lava Jato apreendeu e-mails relacionados ao esquema de pagamentos de propinas identificado na Odebrecht datados de novembro de 2015, quando o presidente-executivo da empresa, Marcelo Odebrecht, já estava preso preventivamente em Curitiba.

De acordo com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), a empresa mantinha uma “contabilidade paralela complexa” para o pagamento de propinas dentro do Brasil, num departamento chamado de “Setor de Operações Estruturadas”. O repasse do dinheiro era feito com frequência em hotéis e flats alugados unicamente para este fim, de acordo com a investigação.

Segundo a procuradora da República Luana Gonçalves, a interceptação de e-mails comprovando a continuidade do esquema, mesmo com o presidente da Odebrecht preso, foi vista com surpresa. “Para a gente chega a ser de certa foram assustador”, disse a procuradora. “Ainda se teve a ousadia de continuar a operar o pagamento de propina com o conhecimento do Poder Público.”

Os detalhes foram revelados hoje (22) em entrevista coletiva após a deflagração da 26ª fase da operação, chamada de Xepa.

Em planilhas apreendidas ainda na 23ª fase da Lava Jata, chamada Acarajé, foram identificados pagamentos em espécie a centenas de recebedores, feitos entre janeiro de 2014 e meados de 2015. O dinheiro seria fornecido por meio de até oito contas mantidas por doleiros em favor da Odebrecht. Em apenas uma das contas, foram identificados recursos de R$ 66 milhões disponíveis para o pagamento de propinas.

“Nós identificamos também a existência de um sistema informatizado para o controle desses pagamentos paralelos dentro da Odebrecht”, informou a força-tarefa da Lava Jato. Tal sistema incluiria até mesmo um instrumento de troca de mensagens entre os profissionais alocados naquele setor da empresa, e foi destruído a partir do momento em que a companhia passou a ser investigada.

Nas tabelas, constavam valores, endereços e codinomes de recebedores de propina e dos executivos de alto escalão da Odebrecht que autorizavam os pagamentos, entre eles a sigla MBO, que, segundo a força-tarefa responsável pela investigação, corresponde a Marcelo Bahia Odebrecht, presidente-executivo da companhia.

De acordo com a procuradora Luana Gonçalves, a sigla MBO surge em diversas planilhas. “A nosso ver não há qualquer dúvida da participação pessoal de Marcelo Bahia Odebrecht, não só no sentido de ter conhecimento, mas também de pessoalmente agir para pedir o pagamento a terceiros.”

Outro codinome identificado foi o de “Feira”, que aparece como destinatário de diversos pagamentos constantes das tabelas apreendidas e que, de acordo com os investigadores, corresponde ao casal de publicitários João Santana e Mônica Moura. O dois encontram-se detidos em Curitiba.

Grandes obras

Os pagamentos, de acordo com a avaliação dos procuradores do MPF, foram aprovados por diretores responsáveis pela supervisão de obras ligadas ao governo federal e a diversos governos estaduais e municipais. Foram citadas como exemplo as construções da Arena Corinthians, em São Paulo, palco da abertura da Copa do Mundo de 2014, de metrôs no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, do aeroporto de Goiânia e do Canal do Sertão, no Nordeste.

O procurador da República Carlos Fernandes Lima afirmou que a Lava Jato investigará as provas relacionadas à Petrobras, remetendo os indícios relacionados a obras em outros estados aos ministérios públicos locais. “Seja qual for o partido, seja qual for o governo, a operação de hoje é a prova exatamente disso, que estamos combatendo a corrupção independentemente de partido, independentemente de governo”, afirmou Lima.

Chamada de Operação Xepa, a 26ª fase da Lava Jato foi deflagrada hoje e envolveu cerca de 380 policiais federais, no cumprimento de 110 ordens judiciais nos estados de São Paulo, Rio de janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. Foram cumpridos 67 mandados de busca e apreensão, 28 mandados de condução coercitiva, 11 mandados de prisão temporária e 4 mandados de prisão preventiva.

Em nota, o grupo empresarial Odebrecht garantiu que está ajudando nas investigações: "A empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários.”

Edição: Lana Cristina

Polícia Federal prende diretor da Odebrecht em Salvador

Um dos diretores e funcionário de confiança da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, foi preso preventivamente na manhã de hoje (22), em Salvador, na Operação Xepa, a 26ª fase da Operação Lava Jato. Conhecido como Bel Silva, o investigado foi dono de uma rede de churrascarias na Bahia. No momento da prisão, ele estava em seu apartamento, no Jardim Apipema, condomínio de luxo, no Horto Florestal.

O executivo é apontado nas investigações como operador de propinas por meio de offshores (empresas abertas em paraísos fiscais). Ele foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde se concentram as investigações.

“A partir das investigações, em planilhas e trocas de e-mails, o executivo foi apontado como um dos chefes de operações estruturadas para pagamento de propina da Odebrecht”, disse a delegada Renata Rodrigues, referindo-se à estrutura exclusiva para o pagamento de propinas, dentro da empresa-alvo da operação.

Uma pessoa com pedido de prisão preventiva ainda não foi localizada em Salvador, segundo a superintendência. Outra, o funcionário Luiz Roque Silva foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos à Superintendência da Polícia Federal e já foi liberado.

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da Odebrecht,na Praia do Forte (Mata de São João), no aeroporto e em uma empresa de câmbio e turismo, dentro de um shopping da cidade.

A Operação Xepa é a 26ª fase da Lava Jato, um desdobramento da 23ª fase, a Operação Acarajé.

Segundo a PF, cerca de 380 policiais federais cumprem 110 ordens judiciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco.

Ao todo, são 28 mandados de condução coercitiva, nove mandados de prisão temporária e 4 mandados de prisão preventiva, em todo o país. Segundo a PF, os investigados responderão por crimes de corrupção, evasão de divisas, organização criminosa e lavagem de ativos, segundo a polícia.

Em nota, a Odebrecht confirma o cumprimento dos mandados da Polícia Federal “em escritórios e residências de integrantes em algumas cidades no Brasil”. A nota diz ainda que “a empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários”.

Edição: Maria Claudia

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