Na ONU, Dilma diz que Brasil vive grave momento, mas vai impedir retrocesso


A presidenta Dilma Rousseff alertou o mundo nesta sexta-feira (22), em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), para o “grave momento” vivido pelo Brasil por conta do avanço de um processo de impeachment no Congresso sem base legal.

Como a participação da presidenta na cerimônia se deve a assinatura do Acordo de Paris, novo pacto global sobre o clima, Dilma deixou para mencionar a situação política brasileira apenas por um breve momento no fim do discurso.

Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande País, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso”, disse antes de agradecer ao apoio recebido. “Sou grata a todos os líderes que já expressaram sua solidariedade”

Dilma: ‘Temem serem tachados de golpistas porque são’

A presidenta Dilma Rousseff se disse intrigada, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (22), em relação ao medo de seus opositores quando ela afirma que há um golpe em curso no Brasil, por conta do processo de impeachment. “Essa precipitação mostra o quanto temem serem tachados de golpistas. Sabe por que temem? Porque são”. Dilma explicou, mais uma vez, que o impeachment sem crime de responsabilidade, como explicita a Constituição, é golpe e uma maneira “travestida” de fazer uma eleição presidencial indireta, sem a participação do povo.

[Eu] não acuso ninguém de golpismo por propor eleição direta, [isso] é outra discussão. O que não é admitido é um processo de impeachment que, na verdade, é uma eleição indireta, travestida de processo de impeachment”, afirmou.

A declaração foi feita algumas horas após a presidenta discursar na cerimônia de assinatura do Acordo Paris, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ela comentou as críticas que recebeu por mencionar a crise política em sua fala. “[Disseram] que fui a ONU para falar mal do Brasil, eu fui para falar a verdade”, rebateu. “Acho que tem que ser me dado o direito de defender meu mandato”.

Na opinião da presidenta, falar que o processo de impeachment contra ela no Congresso Nacional não é golpe é “tapar o sol com a peneira”.

Eu me julgo uma vítima, uma injustiçada. Eu estou sendo injustiçada e sou a presidenta. Isso é muito grave. Se há injustiça contra um presidente da República, se eu me sinto vítima de um processo ilegal, golpista e conspirador, o que dizer da população do Brasil quando seus direitos forem afetados?”.

Dilma reafirmou ainda que não responde por nenhuma acusação de corrupção e comparou sua trajetória com a dos oposicionistas que podem assumir o comando do País.

É um processo absolutamente infundado. Pergunto a vocês: quem assumirá os destinos do País? Pessoas legítimas? Pessoas que têm na sua trajetória – eu não quero julgar ninguém antes, mas estou dizendo um fato – têm acusação de lavagem de dinheiro, conta no exterior, processo de corrupção? Eu quero dizer o seguinte: não tem contra mim nenhuma acusação de corrupção.

Sem redução da pobreza, não será possível vencer o combate à mudança do clima, diz Dilma na ONU

A presidenta Dilma Rousseff reafirmou nesta sexta-feira (22), em discurso na cerimônia de assinatura do Acordo Paris, em Nova York, o compromisso do Brasil no enfrentamento às mudanças climáticas. Para isso, no entanto, a presidenta enfatizou a necessidade indispensável de promover o desenvolvimento sustentável.

Meu Governo traçou metas ambiciosas e ousadas porque sabe que os riscos associados aos efeitos negativos recaem fortemente sobre as populações vulneráveis de nosso país. Essa preocupação deve ser compartilhada por todos nós. Sem a redução da pobreza e da desigualdade, não será possível vencer o combate à mudança do clima. E esse combate tampouco pode ser feito à custa dos que menos têm e menos podem.”

O Acordo de Paris entrará em vigor em 2020 e foi aprovado em dezembro do ano passado, durante plenária da 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), na França. O texto prevê limitar o crescimento da emissão de gases de efeito estufa e a criação de um fundo global de US$ 100 bilhões, financiado pelos países ricos, a partir de 2020, para frear o aquecimento global.

Dilma também assumiu o compromisso de zerar o desmatamento na Amazônia e ampliar para 45% a participação de fontes renováveis na matriz energética do Brasil até 2030.

Nosso desafio é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e outros 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. Promoveremos também a integração de cinco milhões de hectares na relação lavoura-pecuária e florestas.”

Ao reiterar o compromisso do Brasil com os objetivos do Acordo de Paris, a presidenta assegurou que está ciente de que firmá-lo representa apenas o começo.

O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos. Realizar os compromissos que assumimos irá exigir a ação convergente de todos nós, de todos os nossos países e sociedades, rumo a uma vida e a uma economia menos dependentes de combustíveis fósseis, dedicadas e comprometidas com práticas sustentáveis na sua relação com o meio ambiente.”

Fonte: Blog do Planalto (Veja vídeos no Canal do Youtube Blog do Planalto)

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