Atlas inédito traz questões ambientais do entorno da Baía de Todos os Santos


Uma área de 6,8 mil km² que concentra mais de 43% do PIB da Bahia. Esse é objeto de estudo do Atlas Socioambiental do Recôncavo baiano, que será lançado amanhã, durante o II Fórum Internacional sobre Gestão de Baías, na Associação Comercial da Bahia (ACB).

Inédito, o atlas reúne dados acadêmicos e de fontes oficiais gerados nas últimas três décadas em 22 municípios, apresentando a região do Recôncavo a partir de pontos de vistas social, econômico, geográfico e ambiental.

“O atlas traz para o público informações que estavam dispersas em dissertações de mestrado e teses de doutorado de mais de 30 acadêmicos. Aqui, esses dados estão organizados de forma sistematizada e consolidados a partir da mesma base cartográfica”, explica a professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Tania Mascarenhas Tavares, coordenadora do projeto do atlas. Dentre os 91 mapas gerados para o documento, estão presentes informações de instituições oficiais como IBGE, SEI, Ipea e Radam Brasil, no recorte específico para a região.

Segundo a coordenadora, o estudo considerou como municípios do Recôncavo todos aqueles que fazem limite com a Baía de Todos os Santos (BTS). “O conceito mudou ao longo do tempo”, justifica.

A área estudada é compreendida pelos municípios de Amélia Rodrigues, Aratuípe, Cachoeira, Camaçari, Candeias, Dias d’ Ávila, Itaparica, Jaguaripe, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Maragogipe, Nazaré, Salvador, Santo Amaro, São Félix, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Salinas da Margarida, Saubara, Simões Filho, Terra Nova e Vera Cruz. Os municípios fazem parte de quatro Territórios de Identidade do estado: Baixo Sul; Portal do Sertão; Recôncavo e Região Metropolitana de Salvador.

Em 200 páginas e sete capítulos, o atlas traz temas como a evolução da divisão político-administrativa, recursos naturais e biológicos, dinâmica socioeconômica, entre outros. Cada tópico traz um texto explicativo sobre os cartogramas, mapas e gráficos apresentados. Com isso, os 1.100 km² que compreendem a BTS – parte integrante do Recôncavo baiano – e suas características são apresentados de forma didática no atlas.

Entre os critérios socioeconômicos estão, por exemplo, a relação da evolução do PIB com as unidades industriais presentes na região, bem como os índices de desenvolvimento econômico, social, e evolução da industrialização. No tópico do atlas que retrata as condições atmosféricas, é possível perceber a redução dos níveis de enxofre após a mudança do tipo de combustível utilizado no Polo Petroquímico de Camaçari.

Para Tania, por ser uma base de referência qualificada sobre o Recôncavo baiano, o atlas deve nortear ações de gestão ambiental pelas autoridades governamentais. “Acreditamos que o estudo irá inspirar muitos outros, além de ser um orientador na construção das políticas públicas para a região”, comentou.

Potencial

A Baía de Todos os Santos, que faz parte do Recôncavo, é a segunda maior do mundo em águas abrigadas. “Ela agrega um grande potencial, não apenas por seus aspectos paisagísticos e turísticos, como também tem muita relevância econômica. Na BTS, por exemplo, temos condições naturais para a implantação de portos de alta performance”, afirma Reinaldo Sampaio, superintendente de Estudos de Políticas Públicas da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico.

“A área dos municípios banhados pela BTS é a que concentra mais riquezas no estado, por conta dos polos industriais, serviços, universidades, centros tecnológicos e portos já instalados. É a região que demanda dos governos a maior parte das atenções”. Sampaio destacou, ainda, a questão ambiental nas atividades produtivas. “A Bahia tem tradição em sua atuação ambiental. Nossa legislação é rigorosa, que acolhe a legislação federal e avança com exigências adicionais que são pertinentes”, completou.

Fonte: Correio e Municípios Baianos

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