Planejamento e aplicação correta dos recursos é essencial para o fortalecimento da Cultura

Por Zevaldo Sousa
Pré-candidato a prefeito de Maragogipe

Nestes últimos anos, estou assistindo de maneira entristecida e estarrecida, a destruição da nossa cultura. Por este motivo, pesou nos meus ombros a responsabilidade de demonstrar para a população que nós podemos fazer diferente.

Sempre critiquei, de maneira muito ácida, a turistificação desordenada da nossa cultura na gestão do ex-prefeito Silvio Ataliba. Todavia, no meu entender, essa turistificação permitiu que os grandes eventos do município de Maragogipe, como o Carnaval e a Festa de Agosto ganhassem certa notoriedade na Bahia, no Brasil e no Mundo com ações que até hoje são repercutidas e este ponto positivo merece ser destacado.

Na verdade, a minha crítica à turistificação desordenada - ou seja, uso da nossa cultura para turista ver -, que teve o pontapé inicial na gestão do ex-prefeito Raimundo Gabriel com a inclusão de grandes bandas na programação das festas maragogipanas, que seguiu de forma determinante na gestão de Silvio Ataliba, com ciclo que, na minha opinião, aos poucos, está sendo encerrado na gestão da atual prefeita Vera Lúcia visto que tanto o próprio maragogipano quanto o turista estão deixando de participar dos eventos da nossa cidade.

A minha ideia de turistificação desordenada é perceptível quando os próprios visitantes reclamam da falta ou da carência de serviços essenciais para a sua estadia no município, ou quando relatam péssimos serviços prestados nos ramos da hotelaria e alimentação. O município investiu na divulgação dos seus produtos culturais, mas não se preparou para receber o visitante. Sempre afirmei que em algum momento este modelo iria saturar e a sociedade maragogipana sairia perdendo.

A nossa proposta é mudar esta realidade, reorganizando os festejos e eventos culturais de nossa cidade, motivando nossos artistas e nossa juventude - camada que mais participa de eventos do tipo. Essa reorganização visa convidar a todas as camadas populares para participar ativamente da sua cultura, implantando espaços de cultura, promovendo uma verdadeira política cultural que visará mudar o aspecto da nossa cidade, tornando-a, numa verdadeira CIDADE DA CULTURA, gerando emprego e renda, reaquecendo a economia, impulsionando criatividade.

Festivais de Teatro, Música, Dança, Poesia, Cinema, dentre outros podem ser implantados nestes momentos realçando a nossa história e tradição. A proposta é inverter essa lógica que desagrega e exclue setores importantes da nossa cultura, e como numa reação em cadeia, acaba por prejudicar o futuro da nossa cultura, o desconhecimento da nossa história e o enfraquecimento da nossa economia. Ou aprendemos a valorizar os nossos artistas ou deixaremos de existir enquanto importante cidade cultural no Recôncavo da Bahia.

Enquanto a gestão municipal, seja ela qual for, pensar e aplicar apenas ações culturais, nossa raiz cultural declinará chegando ao fundo do abismo. Uma festa logo passa e os efeitos desta festa também. Todavia, se essa mesma festa se transformasse em ápices de projetos culturais, ela engrandeceria e haveria uma verdadeira política cultural sendo aplicada no município.

Se olharmos mais atentamente para a política cultural das nossas vizinhas e co-irmãs do Recôncavo da Bahia, perceberemos que, apesar de conter algumas falhas, pois não existe perfeição, há pelo menos, uma tentativa em resgatar e manter a sua cultura em todos os eventos.

Neste sentido, pergunto: Será que é tão difícil organizar os grandes eventos de uma comunidade de forma planejada? O que é preciso para mudar esta realidade?

Permita-me parafrasear Michele Obama, dando um toque especial em sua frase, aproximando-a da nossa realidade.

"O município de Maragogipe se tornará mais forte e mais próspero quando as vozes e as opiniões de todos os cidadãos puderem ser ouvidas."

Para mudar esse realidade é preciso ressaltar alguns pontos, mas antes de tudo é preciso planejamento e organização. Devemos ter como prioridade:
  • a importância da reorganização do Conselho Municipal de Cultura - inexistente no nosso município - para fortalecer as vozes da cidadania e da cultura; 
  • a criação de uma Lei que vise regulamentar e fortalecer a política cultural do município, em todos os distritos e esta lei deve ser alinhada com o máximo de pessoas que desejem participar desta construção visando fortalecer a história e a cultura do maragogipano; 
  • dar liberdade para que a Secretaria da Cultura trabalhe projetos culturais de forma conjunta com a Secretaria de Educação para incentivar o aparecimento de novos talentos, garantindo o futuro e a permanência da nossa história.
  • o gestor deve aplicar uma política cultural tendo como objetivo mudar vidas, através de ações continuadas de cultura, permitindo que os maragogipanos sejam sujeitos de sua própria história.
  • A cultura deve ser promovida em prol e para o maragogipano, para que este esteja feliz. Estando feliz e motivada, a população investe e promove belíssimos eventos. Trata com carinho e respeito todos os visitantes e estes, após serem tratados com respeito e dignidade, serão os principais promotores dos nossos eventos.
  • Os eventos (pequenos, médios ou grandes) devem servir como cartões-postais para que o município posso ser visto com outros olhares por todos.
  • Reorganizar e potencializar setores importantes da economia, favorecendo o aumento da empregabilidade e da renda, principalmente, setores dos ramos de hotelaria, alimentos e artesanato, dentre outros.
  • e por fim, o gestor não deve, de hipótese alguma, promover um debate vingativo somente porque artista A ou B teceu críticas ácidas a sua gestão. Infelizmente, o Brasil está cheio destes gestores que acabam por insuflar, cada vez mais, o ódio e os extremismos dentro de uma cidade em que todos deveriam ser irmãos.
Aqui, apenas citei alguns pontos importantes da política cultural que deve ser pensada e implantada no nosso município. Reflita com carinho antes de expressar sua opinião.

Por Zevaldo Sousa

Comentários