Concessões da Petrobras abrem perspectivas de novos negócios para a indústria de petróleo e gás na Bahia


A oferta da Petrobras ao mercado de 104 concessões de campos terrestres na Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Sergipe tem movimentado as empresas baianas do setor de óleo e gás. Para discutir soluções de competitividade para o Estado, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), por meio dos Conselhos de Petróleo, Gás e Naval (CPGN) e de Inovação e Tecnologia; realizou na última quinta-feira (07/07) o seminário “Inovações para redução de custos na indústria de petróleo e gás”. O evento reuniu especialistas e empresários do setor e discutiu também o uso tecnologias inovadoras na exploração de petróleo e gás em terra e a promoção do conteúdo local.

Segundo nota divulgada pela Petrobras através do blog Fatos e Dados, “a produção total de óleo desses ativos é de, aproximadamente, 35 mil barris por dia, o que corresponde a cerca de 2% da nossa produção total”. Especula-se no mercado que a venda desses ativos deve render entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões para a Petrobras. O seminário está sendo realizado num momento em que a estatal desenvolve o Projeto Topázio, onde vai transferir para companhias independentes concessões de exploração de petróleo e gás em campos maduros em terra e em águas rasas no mar.

“A Petrobras iniciou a venda de quatro campos de águas rasas no Ceará e cinco campos em Sergipe. Nos próximos dias, deverá estender o programa para a Bahia, por isso as empresas da Bahia que trabalham no setor estão se antecipando, através deste evento, estudando maneiras de explorar o petróleo pelo mais baixo custo possível para ingressarem no mercado e serem competitivas”, revelou Adary Oliveira, vice-coordenador do CPGN.

Durante todo o dia diversas empresas apresentaram suas soluções de inovação para a exploração de petróleo e gás – todas com o objetivo de reduzir os custos e manter ou elevar a produtividade. “Existem pelo menos duas vertentes. Uma é procurar reduzir custos de operações que estão sendo realizadas pelas empresas, mantendo os processos tradicionais, e a outra é a de introdução de novos equipamentos que possam proporcionar aumento de produtividade e consequentes reduções de custo e aumento de produção”, completou Adary, que está à frente do Conselho junto ao coordenador Humberto Rangel, diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Enseada Indústria Naval.

Em busca da competitividade

O consultor do setor de petróleo e gás, Antônio Rivas, ao falar sobre os desafios da exploração e produção nas áreas maduras citou fatores como a falta de política adequada ao porte da atividade, a falta de previsibilidade nos leilões, a não definição de prazos para licenciamento ambiental e a crise na Petrobras. “Hoje temos as mesmas regras para a exploração de poços terrestres maduros e poços do pré-sal, sendo que eles apresentam proporções completamente diferentes. Outra questão é o licenciamento ambiental. Para perfurar um simples poço que já é perfurado desde 1941, ainda não há prazo para conceder uma licença para operação. Esses pontos podem acarretar em consequências diretas na redução do nível de empregos, na desmobilização do setor e na perda da competitividade”, expôs o consultor.

O licenciamento ambiental é um ponto que também preocupa a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP). “Nós temos uma pauta com algumas solicitações para o Ministério de Minas e Energia, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) e os governos estaduais. Dentre elas, a criação de uma superintendência de campos terrestres na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para facilitar o contato do setor com a agência e a questão ambiental. É preciso que tenha uma regulação específica. Tem também a questão da comercialização da produção. Hoje o único comprador é a Petrobras e ela muda algumas condições e impõe outras são desfavoráveis para os produtores”, disse Anabal Santos Junior, secretário executivo da ABPIP.

Segundo Jorge Camargo, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), é preciso definir quais etapas serão preciso passar para voltar a ter uma indústria competitiva. “Vamos ter que inovar e aprender a viver o novo. O novo é a mudança e a transição que estamos vivendo hoje. Exploração terrestre é conteúdo local na veia, é emprego na veia para os municípios do interior. A indústria de petróleo é um dos caminhos que o Brasil tem para sair da recessão e, por isso, é melhor para o país ter um setor diversificado, com vários atores, não somente a Petrobras. Hoje sentimos no IBP um senso de urgência nos processos. O Brasil precisa que as coisas aconteçam com mais rapidez e temos discutido isso com ministros e outras pessoas que estão à frente do Governo. A Petrobras tornou-se uma outra empresa e tem que se ajustar ao momento”, afirmou Camargo.

Alternativas apresentadas

Dentre as soluções oferecidas pelas empresas para reduzir custos e tornar o setor petrolífero mais atrativo em áreas economicamente maduras, estavam a perfuração de poços de petróleo com sondas de mineração; Perfuração alternativa de poços radiais por hidrojateamento; Alternativas na elevação e Unidades móveis de bombeio com utilização de BCS; Tubulação termoplástica para linhas de produção e injeção; Separação óleo/água; Perfuração de poços horizontais terra-mar com sondas de travessia (cross river) e Uso da geologia, da interpretação sísmica e de perfis na melhoria do desempenho da perfuração de poços no Recôncavo.

O evento foi uma realização da FIEB, por meio do CPGN, com apoio da PetroReconcavo e contou com as presenças de Eduardo Catharino Gordilho, vice-presidente da FIEB representando o presidente Ricardo Alban; Celso Reinaldo Cavalcanti Rodrigues, diretor de Energia da Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia, representando o secretário Marcus Cavalcanti; Marco Amigo, presidente do CREA-BA; Rafael Procaci da Cunha, diretor administrativo financeiro da PetroReconcavo e José Luis Almeida, coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da FIEB.

Fotos: Ângelo Pontes

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