OPINIÃO: A velha política de Maragogipe - Um olhar especial para Coqueiros.


Por Geferson Santana

É chegado o momento em que os candidatos a prefeitos e vereadores, da cidade de Maragogipe, digladiam-se para conquistar o tão sonhado salário de prefeito e vereador, e, junto, as benesses dos respectivos cargos públicos. É, sem dúvida, uma busca desenfreada, não apenas pelo poder, mas, especialmente, pela busca de uma nova fonte de renda. Num primeiro momento, parece ser este o ponto de motivação para candidatar-se à carreira política.

Não se percebe nos candidatos uma preocupação com as questões sociais, econômicos, culturais, ou mesmo educação, das comunidades que querem representar. Os candidatos tendem a eleger-se nos distritos maragogipanos sem nem sequer apresentar uma proposta sólida de atuação. O voto não é conquistado pelo mérito das propostas, e, sim, pelo quanto se conseguiu comprar com a troca de favores.

As disputas políticas em Coqueiros
Em muitos distritos, há um excesso de candidaturas. É absolutamente inadmissível que um distrito como Coqueiros – que é muito pequeno – tenha doze candidatos a cargo de vereador. Parece que isto só legitima a ideia de que o individual se sobrepõe ao coletivo. O que está em jogo na arena política local, não é a resolução dos problemas, mas a garantia dos privilégios particulares.

Os coqueirenses não dispõem de um centro de cultura, sindicato dos pescadores e marisqueiras, funcionamento pleno da casa das ceramistas, bibliotecas de qualidade nas escolas, biblioteca pública para os moradores. Não dispõem de um sistema bancário no distrito ou mesmo terminais 24h para saques, considerando que nossos moradores precisam se deslocar para a Sede, pagando 10 reais para ir e volta à cidade. E os péssimos atendimentos nos bancos, Caixa Lotérica e suas credenciais forçam as pessoas a se deslocarem para a cidade de Cachoeira, o que torna tudo mais caro. Além disto, é problemático o sistema educacional do distrito. E o que se tem como solução? Uma pergunta que não quer calar.

Entendo perfeitamente, como historiador especialista em História Política, que isto é algo normal nas disputas políticas. É normal que candidatos de vários partidos queiram concorrer às eleições municipais e distritais, o que entendo como saudável para o nosso sistema democrático.

O que me parece muito complicado é que distritos pequenos, como Coqueiros, tenham entre 11 e 15 candidatos, sendo que alguns são do mesmo partido. Claro que está em jogo o monopólio que alguns partidos querem de determinadas áreas da cidade de Maragogipe.

Que cada partido lance seus candidatos, mas não seria mais interessante apenas um por partido? Além disso, considero relevante que projetos e propostas sejam apresentados aos eleitores locais. E que estas propostas tenham como ponto de partida, caminhos possíveis para solucionar os problemas que atingem negativamente a vida pública.

Ao invés disto, temos um corpo heterogêneo de candidatos muito mais preocupados com os próprios bolsos, do que com o bem coletivo. Superar o individualismo é um dos grandes desafios da política, e da vida social em geral. Não se torna vereador, pelo menos não deveria, para o seu próprio bem, e sim para o bem comunitário. E isto, me preocupa intensamente.

O pior de tudo, é que a vulnerabilidade socioeconômica dos eleitores é explorada pelos candidatos. Prometem-se empregos, doam-se bens, pagam-se contas atrasadas, prometem-se coisas que no fundo não serão cumpridas depois da conquista do mandato nas urnas. E tudo isto é, ao mesmo tempo, fruto da ausência do espírito coletivo do corpo social comunitário.

O que se pode concluir, é que a herança do coronelismo – troca de favores no “curral eleitoral”-, ainda teima em viver no imaginário e nas práticas políticas contemporâneas, não apenas do Estado da Bahia, mas, igualmente, de outros estados. Precisamos lutar com urgência contra estas práticas, pensando em estratégias a serem usadas nas escolas e nos diversos espaços de educação formal e informal para combater este câncer da política nacional, regional, local. E da mesma forma, acredito ser importante criarmos espaços de debates sobre a atuação saudável dos cidadãos, e suas responsabilidades frente ao bem social coletivo.

Geferson Santana
Historiador negro e maragogipano
Especialista em História Política
Graduado em História pela UFRB
Mestrando em História pela UNIFESP

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