Estaleiro vira tema do Bahia Onshore; Incertezas arrasta Recôncavo para uma crise sem fim


O futuro do estaleiro da Enseada Indústria Naval, em Maragogipe, estava fora da pauta do 1° Fórum Bahia Onshore, na última sexta-feira, que foi marcado para apresentar perspectivas para os campos maduros de petróleo. Mas acabou sendo o assunto do dia no encontro realizado na Fieb, com empresários, representantes dos governos federal e estadual. 

Quem puxou o assunto foi o coordenador do Conselho de Óleo, Gás e Naval da Fieb, Humberto Rangel, lembrando que os estaleiros construídos recentemente no país foram viabilizados pelos compromissos da Petrobras em utilizar o conteúdo nacional em seus projetos o que pode mudar. "Não queremos acreditar que haverá uma ruptura em relação aos compromissos porque mudou o governo. Os ajustes atuais são compreensíveis e saudamos a maioria deles, mas a Petrobras fez um compromisso", disse. 

O raciocínio de Rangel foi seguido pelo secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Jorge Hereda. Apresentado como um vetor para o desenvolvimento do Recôncavo Baiano, com investimentos de R$ 2 bilhões, o empreendimento na Enseada do Paraguaçu, que está 82% pronto, vive um período de incertezas há quase dois anos, que arrasta para a região para uma crise sem fim. 

A arrecadação de tributos estaduais em Maragogipe, com destaque para o lCMS, apresentou uma queda de quase 90% nos dez primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014, quando as obras no estaleiro estavam a pleno vapor, segundo levantamento do Farol Econômico, com base em dados da Secretaria da Fazenda do Estado (sefaz). De janeiro a outubro de 2014, o foram arrecadados no município R$ 18,5 milhões, contra apenas R$ 2 milhões este ano.

Campos maduros

Falando em campos maduros, a Bahia tem um problema específico para o desenvolvimento da atividade, destacam empresários: a insegurança jurídica por conta dos processos de licenciamento. “Este é um problema da Bahia, pode-se esperar seis meses em alguns casos, ou seis anos em outros para se ter uma resposta em processos simples”, critica o empresário Marcelo Magalhães, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP). O secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda, reconhece o problema e diz que o governo vai criar um grupo de trabalho semelhante ao criado para atender os projetos eólicos.

Fonte: Jornal Correio (Farol Econômico)

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