Estudantes maragogipanos tiraram dúvidas na aula pública sobre Reforma do Ensino Médio


Na última sexta-feira, dia 18 de novembro, foi realizada na Associação Atlética Maragogipana uma Aula Pública sobre a Reforma do Ensino Médio (MP 746/2016). O evento, contou com a presença dos alunos do Colégio Estadual Gerhard Meyer Suerdieck que tiraram suas dúvidas, vários professores e pessoas que visitaram o espaço no dia para acompanhar o evento que contou também com a participação dos representantes do Conselho Tutelar de Maragogipe.


A aula foi idealizada pelos discentes da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), Jamile Sandes e Joilson Santana que convidaram os professores Luiz Paulo Oliveira (docente do curso de Ciências Sociais do CAHL/UFRB) e o Zevaldo Sousa (docente do enisno médio no CESF, formado em História pela UFRB)


Quase cem alunos assistiram a aula pública que teve como principal motor tirar as dúvidas dos estudantes. Várias intervenções foram feitas ao longo de toda a aula. Dúvidas sobre aumento da carga horária e sobre inclusão e exclusão de disciplinas foram o cerne do debate que não se concentrou nestes pontos, pois foi ampliado com a temática da urgente necessidade de se reformar na Educação como um todo.

Pontos polêmicos foram tratados, como a obrigatoriedade do ensino de Português e Matemática, o ensino técnico, a flexibilização do currículo escolar e as possíveis mudanças que podem ocorrer no ENEM. A valorização do professor, da escola e a gestão democrática também foram pontos ocolocados pelos próprios alunos que, em sua maioria, acredita que a Reforma não atenderá os anseios da comunidade, visto que, atualmente, a escola pública não é entendida como investimento, mas como despesa pelo Governo.

Os alunos que moram na zona rural questionaram a deficiência do atual sistema que privilegia somente uma grupo social e deixa de lado, a grande maioria dos estudantes. Transporte escolar, merenda, e terceirização de setores importantes para a escola também foram colocados no meio do debate, principalmente, quando estes profissionais ficam meses sem receber.

Um jovem questionou sobre a conciliação entre trabalho e estudo. "Muitos jovens trabalham para ajudar em casa e estudam, com o aumento da carga horária como ficará estes jovens? Ele terá outras oportunidades?". 

A cada intervenção uma resposta dos professores Zevaldo Sousa e Luis Paulo que, em conjunto com outros professores presentes, responderam as perguntas dos alunos apresentando o que está na lei atual. A comparação com outros países, principalmente a França, foi inevitável, país este apresentado pelo Governo federal na propaganda sobre a reforma do ensino médio que foi transmitida para os alunos.

A principal crítica ao projeto se deu no âmbito da imposição da Medida Provisória. Sem diálogo com a sociedade como podemos implementar um lei, principalmente, quando esta lei atingirá uma área crucial da sociedade que é a educação. A reforma deveria ser feita pelos profissionais da educação que atualmente, em sua maioria, não estão satisfeitos. 

"Não estou contra a reforma na educação, estou contra uma reforma no ensino médio que, além de ser impositiva, sendo um afronto a sociedade, não contempla os anseios da grande maioria dos jovens que necessita de apoio desde o ensino fundamental I e II e não tem, visto que a grande maioria dos municípios, os gestores travam a escola, intervindo, inclusive, nos projetos de educação. Este sim, era um ponto que precisaríamos pensar. A reforma na educação deve ser feita com qualidade, diálogo e respeitando as regionalidades." falou o professor Zevaldo Sousa.

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