Promotores já têm provas para solicitar a prisão do prefeito de Santo Amaro na Operação Adsumus

Segundo informações da Coluna Satélite, do Correio 24 horas, os promotores já têm provas necessárias para solicitar a prisão do prefeito de Santo Amaro Ricardo Machado (PT) na Operação Adsumus.


Cerco fechado

Os promotores responsáveis pela Operação Adsumus já recolheram provas suficientes para que a procuradora-geral de Justiça da Bahia, Ediene Lousado, solicite a prisão preventiva do prefeito de Santo Amaro, Ricardo Machado (PT). O petista é suspeito de participar de um esquema de fraudes em licitação responsável por desviar ao menos R$ 24 milhões dos cofres do município. No entanto, a detenção de Machado depende tanto do pedido de Lousado, chefe do Ministério Público do Estado (MPE), quanto do Tribunal de Justiça (TJ) da Bahia. Isso porque o político possui foro privilegiado até o fim de dezembro, quando deixará o cargo. As evidências mais graves contra o prefeito surgiram a partir do acordo de delação premiada de um dos empresários envolvidos, que detalhou a suposta participação de Machado no cartel criado para abocanhar contratos em cerca de 80 cidades do interior baiano. A colaboração do delator já foi homologada pelo TJ, como noticiado pela coluna na edição de ontem.

Ação entre parceiros

Ao mesmo tempo, a Justiça acatou um requerimento da Promotoria de Santo Amaro, sede da Adsumus, e autorizou o compartilhamento de provas coletadas nas três fases da operação com sete outras instâncias com respaldo legal para apurar desvios de dinheiro e corrupção: Ministério Público Federal (MPF), Controladoria-Gera da União (CGU), Polícia Federal (PF) e os tribunais de Contas dos Municípios (TCM), do Estado (TCE) e da União (TCU). Obtidos por meio de quebras de sigilo, depoimentos e buscas e apreensões em empresas e endereços ligados aos suspeitos, os indícios estão distribuídos em três grandes eixos de investigação: contratos para obras públicas, sobretudo em escolas e postos de saúde, locação de máquinas e compra de materiais de construção. O trabalho da Adsumus deu origem a duas ações penais, em que os réus são acusados de associação criminosa, lavagem de dinheiro, fraudes em licitação e peculato.

Fora do tapete

No despacho em que autoriza o compartilhamento de provas, o juiz Marcos Adriano Silva Leão, da Vara Criminal de Santo Amaro, destaca a necessidade de aprofundar as investigações da Operação Adsumus em instâncias federais. “Não é possível imaginar que a complexidade de fatos e de relacionamento entre empresas com o município de Santo Amaro, bem como a ligação entre os respectivos representantes privados e públicos, encerre ilícitos apuráveis tão somente na esfera da Justiça Estadual da Comarca de Santo Amaro. E mais, tratando-se de verbas públicas, exige, em um estado democrático de direito, ampla análise e investigação”, destaca Leão, em despacho assinado anteontem.

Delação de empresário investigado 

Um dos empresários investigados na Operação Adsumus, que investiga um esquema de desvio de recursos na Prefeitura de Santo Amaro, fechou acordo de delação premiada e forneceu detalhes e provas sobre o suposto envolvimento do prefeito Ricardo Machado (PT). Segundo a coluna Satélite, do jornal Correio, por se tratar de político com foro privilegiado, a delação do empresário foi homologada junto ao Tribunal de Justiça da Bahia. No entanto, de acordo com o diário baiano, o avanço da operação teria acirrado um movimento para impedir eventuais desdobramentos da ação comandada pelo Ministério Público de Santo Amaro. A promotoria, que começou apurando o esquema formado por políticos e empresários que teriam desviado cerca de R$ 24 milhões, tenta ampliar a operação contra outros tentáculos do grupo em outros municípios.

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