Quintais


Até um tempo atrás...

Era eu, Iran e o Rafinha.
Calor e bicicletas Caloi poderiam resumir nossos verões,
assim como os banhos de mangueira, pé de acerola e de pinha.

Cacos de vidro nos muros não impediam da gente jogar uns panos por cima e pulá-lo pra jogar PS2 ou assistir à Sessão da Tarde com o Danilo (principalmente quando ele tava de "castigo" e não podia sair de casa) - engraçado que achávamos que éramos tão discretos iguais aos agente secretos dos filmes e desenhos que a gente assistia.

Apesar disso, vale lembrar que esses mesmos cacos nos davam a melhor sensação de segurança que se poderia ter quando queria estar em paz, longe do perigo externo.

Com uma bola Pingo de Ouro transformávamos o quintal de cimento batido em uma quadra profissional de futsal.

Se precisasse, rapidinho arrumávamos tudo para brincar de bolinhas de gude ou projetar cidades e dá vida aos bonecos.

No quintal de vó eram outras aventuras: carambolas, jambus, acerolas, biribiri, pitangas, cacaus, gangorras, esconde-esconde, árvores para subir...

Todas as brincadeiras consistiam, basicamente, em explorar (e, se déssemos sorte, encontrávamos o baú do tesouro, cheio de doces e que, a propósito, nos mesmo o escondemos) e salvar o mundo dos monstros (às vezes, dinossauros ou aliens... Às vezes era tudo isso junto) que criávamos.

Depois de tamanha missão, o cansaço batia e era preciso repor as energias: alguns trocados davam pra comprar alguns pães e uns pacotinhos de Ki-suco e aí o piquenique era certo.

Quantas foram as tardes?
Quantos foram as quedas, os joelhos esfolados, as risadas, as lembranças, as saudades?

Até um tempo atrás...
O nosso quintal também era maior que o mundo.

P.s.: Para conhecer mais textos como esse [e diferentes desse também], é só acessar o Blog "As crônicas de Ninguém". E quero deixar meu muito obrigado a você que leu até aqui.

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