Recado pra mainha, painho e pra quem tiver lendo



Ô mainha!, se achar meus rabiscos e, por acaso, achar algo estranho - além da minha ortografia, é claro -, se preocupa não. É literatura, tá bem? Não me culpe. Se for fazer isso, saiba que foi culpa dos livros, do Pensador, do Brazza, do milionário dos sonhos, do Chorão, do João Ubaldo, do Xique Chico e sua fita embolada do engenho e de tantos outros que venho lendo, ouvindo e pretendo conhecer. Não tente entender porque, se desse, eu já teria entendido.

Painho, por exemplo, queria que eu fosse cantor. Sei lá, um Fagner ou Alceu Valença - e agradeço pelos violões e toda o ardor que tem por isso. Peço, inclusive, perdão se não ser nenhum doutor ou coisa assim.

Mas, painho percebeu cedo que eu nasci pra caneta. Agora, só espero que ele entenda o que estou fazendo. Gíria também tem papel social e histórico e faz parte da nossa formação como povo, acredite. Aliás, nem é tão feio assim. Feio mesmo é ter a frase "Deus seja louvado" nas notas de reais - ainda mais num país laico.

A gente conhece mais sertanejo sulista - não que seja errado ou proibido. Liberdade de expressão é direito constitucional, não é verdade? Mas, assim como funciona pra um, por que pra outro é negado com veemência? - do que o rap de RAPadura e os cordéis que a gente produz. Quem não conhece o chão onde pisa, definitivamente, está perdido. Reconheço e confesso que andei muito tempo perdido, e que ainda não me encontrei, mas estou me procurando e (re)conhecendo o terreno que piso.

Este chão é seco, cheio de poeira.
Ele é irrigado, cheio de pó[esia].
Às vezes quente, outras vezes frio.
Nunca um tapete vermelho, restrito a alguns, aos "grandes".
Sempre um pano de chão, humilde e que todos têm acesso.
O fato é que ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, é bom que eu saiba onde estou.


P.s.: Para conhecer mais textos como esse [e diferentes desse também], é só acessar o Blog "As crônicas de Ninguém". E quero deixar meu muito obrigado a você que leu até aqui.
P.s.²: Esse veio parar firmar a parceira de Ninguém (lá do blog citado acima) com o Blog do Zevaldo (o qual agradeço mais uma vez). Além disso, esse é o primeiro de muitos.

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