WhatsApp: Será que a violência é o tema mais debatido nas redes sociais em Maragogipe?


Todos os dias, a comunidade maragogipana vive em estado de alerta. A tensão e o medo toma conta e o reflexo destes sentimentos é relatado nas redes sociais. A principal rede social utilizada é o WhatsApp, seja em grupos fechados ou na rede privativa, maragogipanos vivem estressados sem saber o que fazer. Retidos em suas belas celas residências, privados da liberdade que existia no interior baiano.

No WhatsApp, a conversa, na maioria das vezes é iniciada neste estilo:

Fulano: É tiro!
Beltrano: [:o] __ emoji assustado
Sicrana:  [:o] __ emoji assustada
Beltrano: Onde?
Fulano: Em tal lugar...

A partir daí, a conversa dura, em média, duas horas. Há compartilhamento de fotos, vídeos, áudios e terror, mais medo, mais pânico, sem nenhum tipo de solução, com muitos pedidos de auxílio, desesperados em sua maioria, gritando por uma atitude mais exigente do poder público. Em muitos casos, temos olheiros ao nosso redor e nem nos percebemos. Prints e mensagens são copiadas o tempo todo, um perigo total. Se ainda não estamos maduros o suficiente para viver num ambiente livre e democrático, imagine a imaturidade que temos nos comentários em redes sociais.

Vejo, muitas pessoas comentarem e depois, ficarem impressionadas com o alcance que tal publicação. Poucas pessoas conseguem entender esta frase: "Se temos amigos nas redes sociais também temos inimigos."

Infelizmente, essa realidade toma conta da população maragogipana, assim como em toda a Bahia. Há medo, inclusive, na dosagem dos comentários, mas falta atitude pessoal em muitas famílias.

Questiono: Hoje, a faixa etária mais atingida é o público jovem, de 10 a 25 anos, que comentam e até curtem atitudes violentas nas redes sociais, incluem sobrenomes esdrúxulos e provocam pessoas. As redes sociais é um barril de pólvora quando o assunto é violência.

O clima de insegurança intensa por sua vez, deveria provocar nas pessoas, um ato de repúdio, mas não provoca nada. Estamos inertes esperando algo acontecer. Atitudes precisam ser tomadas, desde o ambiente familiar até políticas públicas em todas as esferas de Governo. Mas, temos um problema grande: As pessoas tem a incrível mania de culpar outras pessoas e esquecem que todos devemos ter responsabilidade social. As pessoas pensam em si e acreditam que se trancafiando em casa estarão mais seguros. As pessoas buscam se beneficiar constantemente de recursos que deveriam beneficiar toda a sociedade. A corrupção corrompe o homem em seu cerne e este não consegue sequer pensar na sociedade como um todo.

Por este motivo, pergunto: Será que a violência é o tema mais debatido nas redes sociais em Maragogipe?

A resposta é simples. Não. Comentamos sobre violência, falamos sobre mortes e sangue derramado, culpamos, prendemos e julgamos antes mesmo de saber o que aconteceu. Somos preconceituosos presos no nosso próprio preconceito. Bebemos sangue, compartilhamos sangue com os amigos, brindamos sangue nas curtidas e provocamos ainda mais nos comentários.

Sem esse debate sobre violência, o que percebemos? Atuações díspares e independentes por parte do cada órgão governamental e, neste sentido, nada será resolvido nem amenizado. Por não existir um debate sério em Maragogipe.

A Câmara de Vereadores é a maior responsável por esta falta de debate, pois para evitar conflitos políticos prefere ficar calada e a população nada faz. Ao contrário, continuam em suas comodidades no "Encontro dos Culpados" e acabam julgando e sempre passando a bola para outros culpados. Enquanto uns defendem que a culpa é somente do Governo do Estado, outros colocam a responsabilidade da gestão municipal. 

Afirmo, tanto o Governo do Estado quanto o Município tem suas doses de responsabilidades, assim como a própria família que prefere jogar seu filho em qualquer lugar e reclama quando este está próximo solicitando atenção e carinho. Vi e vejo muitas mães e pais jogarem seus filhos na escola, mas não tem a mínima coragem de discutir a educação dos seus filhos. Vi e vejo, perplexo, muitas mães e pais permitirem que seus filhos fiquem altas horas nas ruas nesta vida sem rumo.

Assim fica fácil para o bandido aliciar menores. Assim fica fácil a violência imperar. 

Se hoje vivemos este clima de insegurança, a culpa não é somente de governos tal e qual, mas por causa da nossa própria irresponsabilidade. Ou paramos de encontrar culpados ou continuaremos trancados nas nossas próprias celas.

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