A palavra do ano é Pós-Verdade: Afinal, você prefere 'mentiras confortáveis' ou 'verdades desagradáveis'?


Depois de selfie (2013) e emoji (2015), a palavra do ano, segundo o dicionário Oxford, foi “pós-verdade”. Segundo a definição dos dicionários Oxford, pós-verdade ('post-truth' em inglês) é um adjetivo que faz referência a "circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais" e este termo esteve presente no debate político na internet e na divulgação de notícias falsas. 

A palavra ganhou peso após o resultado das eleições norte-americanas e o referendo que culminou na saída do Reino Unido da União Europeia. Alguns analistas políticos atribuíram a vitória de Trump e o resultado do Brexit a boatos que circularam na internet. 

Após escolha da pós-verdade como palavra do ano, gigantes da tecnologia como o Facebook e o Google declararam “guerra aos boatos”. Na prática, nada foi feito ainda, mas a promessa é desenvolver ferramentas de checagem que possam diminuir disseminação de notícias falsas na web.

O termo 'pós-verdade' foi escolhido como a palavra do ano 2016 pelos dicionaristas britânicos de Oxford. Para ser mencionada nesta prestigiada instituição, a palavra deve ter sido utilizada em jornais ou em títulos literários por um período mínimo de 10 anos. De acordo com os dicionários Oxford, a palavra pós-verdade tornou-se em 2016 "um pilar do comentário político" e o seu uso aumentou 2.000 por cento face ao ano anterior "no contexto do referendo sobre o 'Brexit' no Reino Unido e da eleição presidencial nos Estados Unidos".

O surgimento da palavra pós-verdade na linguagem foi "alimentada pela ascensão das redes sociais como fonte de informação e a crescente desconfiança face aos factos apresentados pelo poder estabelecido", referiram os editores dos dicionários, que explicaram ainda que o prefixo "pós" não é utilizado exclusivamente para referir uma situação ou um acontecimento específico posterior, como pós-guerra, mas também para salientar a rejeição ou irrelevância de um conceito.

FINALISTAS
A palavra de 2013 foi selfie. A de 2014, vape (fumar um cigarro eletrônico). A de 2015, o emoji 😂. Embora pós-verdade tenha sido escolhida em 2016, todos os anos o Dicionário Oxford publica também as palavras finalistas. São estas:

  1. Adulting - Prática de se comportar como um adulto responsável, especialmente realizando tarefas triviais, mas necessárias.
  2. Alt-right - Nos Estados Unidos, um grupo ideológico associado a pontos de vista extremamente conservadores ou reacionários, caracterizados pelo rechaço à política mainstream e pelo uso de veículos online para difundir conteúdos polêmicos.
  3. Brexiteer - Pessoa a favor de que o Reino Unido saia da União Europeia.
  4. Chatbot - Um programa de computador feito para simular uma conversa com usuários humanos, especialmente na internet.
  5. Coulrofobia - Medo extremo ou irracional de palhaços.
  6. Glass Cliff (penhasco de vidro) - Usado para se referir à situação em que uma mulher ou um membro de um grupo minoritário sobe a uma posição de liderança, desafiando circunstâncias nas quais o risco de fracassar é elevado.
  7. Hygge - A sensação de comodidade e conforto que é resultado de um sentimento de satisfação ou bem-estar (considera-se característico da cultura dinamarquesa).
  8. Latinx - No plural, latinxs. Uma pessoa de origem ou ascendência latino-americana (usa-se em gênero neutro ou não binário, alternativo a latino ou latina); 
  9. Woke - Adjetivo usado para se referir a alguém alerta à injustiça na sociedade, especialmente ao racismo. O Oxford fala, neste artigo, da origem da palavra.

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